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ARTIGO | Um cenário diferente

O Brasil, depois de dois anos sofríveis, conseguiu em 2017 reverter a recessão. O ano de 2018 surgia com o otimismo de um processo de recuperação cíclica, mas que, com um cenário externo favorável, poderia criar um ambiente propício para a eleição de candidatos com agendas reformistas. Entretanto, no final do primeiro trimestre, o cenário externo começou a virar. A alta nos títulos americanos e o aumento do risco geopolítico – que afetou o dólar e o preço do petróleo – provocaram a desvalorização do real, elevaram o risco-país e tornaram improváveis novos cortes na Selic. Se isso não fosse o bastante, em meados de maio, um grupo, aproveitando-se de um governo fraco, parou o Brasil e elencou uma pauta de reivindicações privadas, todas atendidas. O amplo apoio da população ao movimento funciona agora como combustível para discursos populistas nas vésperas de uma eleição-chave para o nosso amanhã. Ao mesmo tempo, os resultados obtidos pelos grevistas abriram caminho para que outros grupos, aproveitando-se da debilidade do governo, também requeiram benesses. Em ambos os casos, a sociedade brasileira sai perdendo. Essa mudança no cenário, todavia, não faz com que a economia se retraia em 2018, mas reduz sua expectativa de crescimento. O consumo das famílias pode ser afetado especialmente pela perda de confiança derivada dos últimos eventos. Nesse contexto, é imperativo o esforço de venda por parte do varejo. Entender o consumidor e atender a suas expectativas nunca foi tão necessário como agora. Não podemos deixar o Brasil parar!

Patrícia Palermo
Economista-chefe da Fecomércio-RS

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  • Crédito: Shari Kozak