Crise no setor calçadista voltará a ser discutida por deputados na Câmara

SÃO PAULO – A crise no setor calçadista brasileiro voltará à pauta da Câmara dos Deputados nesta terça-feira (24). O tema será discutido em função do mau momento vivido pelo setor, onde o Brasil é o…

SÃO PAULO – A crise no setor calçadista brasileiro voltará à pauta da Câmara dos Deputados nesta terça-feira (24). O tema será discutido em função do mau momento vivido pelo setor, onde o Brasil é o quinto maior exportador e o terceiro maior produtor mundial.

Segundo o proponente da discussão, o deputado Daniel Almeida (PcdoB-BA), a situação do setor no país inspira grande preocupação. “A crise tem provocado demissões, férias coletivas e até ameaças de fechamento de algumas unidades de produção, como a fábrica da Azaleia no município de Itapetinga (BA)”, relata. De acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o maior polo calçadista do mundo está no Vale dos Sinos, no Rio Grande do Sul, uma região formada por 14 municípios ao norte de Porto Alegre.

Foram convidados para reunião o secretário da Indústria, Comércio e Mineração da Bahia, James Correa, o prefeito de Itapetinga (BA), José Carlos Moura, o presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Artur Henrique da Silva Santos, o presidente da Central dos Trabalhadores do Brasil, Wagner Gomes, a presidente da Confederação Nacional de Têxteis, Couro, Calçados e Vestuários, Francisca Trajano, o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados, Milton Cardoso, a presidente da Associação das Indústrias de Itapetinga, Kelly Carvalho, um representante Ministério do Trabalho, e um representante do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

Segundo a Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados), uma série de fatores está prejudicando diretamente o desempenho da cadeia. Dentre eles, está o contínuo avanço das importações de calçados asiáticos e a queda consecutiva das exportações motivada pela defasagem cambial.

Setor

Em janeiro deste ano a Abicalçados protocolou na Secretaria de Comércio Exterior pedido para que a tarifa de US$ 13,85 – hoje cobrada sobre o calçado chinês – seja estendida para calçados e suas partes procedentes da Malásia, Vietnã, Indonésia e Hong Kong. “No ano passado, o Brasil registrou a importação de 7,3 milhões de pares da China, mas a própria China divulgou que embarcou 23,6 milhões de pares. Onde está este excedente? No fundo do mar?”, questionou o presidente da Abicalçados, Milton Cardoso.

Outro motivo de forte preocupação é a instabilidade cambial. A depreciação do dólar causou queda de 34% do volume de calçados embarcados no primeiro trimestre deste ano. Cardoso recorda que, há dois anos, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, assegurou que o governo possuía um arsenal para evitar a defasagem cambial e impedir ataques ao setor industrial.

Os dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) já apontam redução no número de empregos no quadrimestre em comparação com o mesmo período do ano passado. A entidade acredita que, sem a concorrência desleal, o setor poderia gerar 400 mil postos de trabalho diretos e 800 mil no complexo calçadista.

Este volume representaria cerca de 10% do emprego industrial do Brasil. “Poderemos ser surpreendidos com o mesmo evento de 2008 – quando houve a perda de 44 mil trabalhadores – e não foi por falta de aviso”, avisa Cardoso. Este ano o superavit do setor deverá ter queda de 13%. A desaceleração das exportações e a expansão das importações já haviam causado a queda de 31% da balança comercial de 2006 a 2010.

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