NRF 2026 aponta inteligência artificial, autenticidade e conexão humana como eixos centrais do varejo do futuro
Evento global reforça que tecnologia, por si só, não substitui autenticidade e relação com o consumidor
A NRF 2026 – Retail’s Big Show confirmou tendências que já vinham se consolidando no varejo global e deixou claro que o setor vive uma virada estrutural. A tecnologia, especialmente a inteligência artificial, passa a ocupar papel central nas operações e na experiência de compra, mas com um alerta recorrente: marcas vencedoras serão aquelas que souberem equilibrar inovação com autenticidade e conexão humana.
Marcas fortes nascem da verdade, não da perfeição
Entre os destaques da programação, o ator e empresário Ryan Reynolds trouxe uma visão pragmática sobre construção de marca em um ambiente saturado de estímulos e conteúdo. Segundo ele, empresas que se destacam não buscam perfeição, mas sim verdade. Testar rápido, errar, aprender e manter uma comunicação honesta com o consumidor gera mais valor do que campanhas excessivamente produzidas e distantes da realidade das pessoas. Para Reynolds, profundidade emocional e coerência entre discurso e prática são ativos estratégicos.
Inteligência artificial deixa de ser tendência e vira infraestrutura do varejo
A inteligência artificial dominou os principais painéis da feira. Executivos de empresas como Google, Walmart, Target, Microsoft e Shopify mostraram como a IA já deixou de ser uma aposta futura para se tornar infraestrutura essencial do varejo. Soluções de agent commerce, comércio conversacional, automação inteligente de processos e personalização em escala estão redefinindo desde a busca por produtos até o checkout e o pós-venda.
Novo protocolo promete integrar toda a jornada de compra
O anúncio do Universe Commerce Protocol (UCP), apresentado pelo CEO do Google, Sundar Pichai, marcou um dos momentos mais relevantes do evento. O novo padrão promete integrar toda a jornada do consumidor — da pesquisa inicial ao pagamento — reduzindo fricções e aumentando a conversão. Desenvolvido em parceria com grandes varejistas globais, o protocolo sinaliza uma mudança profunda na forma como marcas se relacionam com seus clientes nos canais digitais.
Tecnologia avança, mas o fator humano segue como diferencial
Apesar do protagonismo da tecnologia, diversos painéis reforçaram que o fator humano continua sendo um diferencial competitivo. Marcas como Ralph Lauren, H&M, American Eagle e Walmart destacaram que inovação só gera resultado quando respeita o DNA da marca e fortalece relações de longo prazo. Personalização, storytelling consistente, parcerias estratégicas e experiência de loja permanecem como elementos-chave, inclusive no varejo físico.
Geração Z exige transparência, autenticidade e experiências reais
O comportamento das novas gerações também esteve no centro das discussões. Estudos apresentados durante a NRF 2026 mostram que a Geração Z valoriza transparência, autenticidade e experiências reais. Conteúdos artificiais, genéricos ou excessivamente automatizados tendem a gerar rejeição. Nesse contexto, a inteligência artificial deve atuar como ferramenta de apoio à criatividade humana — e não como substituta — ajudando marcas a serem mais relevantes, ágeis e empáticas.
Aprendizados estratégicos para o varejo da Capital
Para o Sindilojas Porto Alegre, os aprendizados da NRF 2026 reforçam que o futuro do varejo passa por decisões estratégicas no presente. Investir em tecnologia, compreender o comportamento do consumidor, valorizar pessoas e manter uma identidade clara e autêntica serão fatores determinantes para a competitividade dos lojistas da Capital nos próximos anos.