Frio impulsiona venda de roupas e calçados, mas consumidor segue cauteloso

O levantamento reforça um cenário típico do momento econômico brasileiro: há disposição para consumir quando existe necessidade, como ocorre durante o inverno gaúcho, mas as famílias seguem administrando cuidadosamente seus gastos diante da combinação de juros elevados e maior comprometimento da renda

O inverno mais rigoroso registrado neste ano voltou a colocar o clima como um importante aliado do comércio gaúcho. Levantamento realizado pelo Sindilojas Porto Alegre mostra que a combinação de temperaturas baixas e dias chuvosos aumentou a demanda por roupas e calçados típicos da estação e fortaleceu as expectativas do varejo para o restante da temporada, mesmo em um cenário de juros elevados e orçamento familiar pressionado.

A pesquisa revela que 82% dos lojistas acreditam que as vendas ainda devem crescer até o fim do inverno, percentual significativamente superior ao registrado no ano passado. Até o momento, o desempenho também é positivo: 35% afirmam que as vendas aumentaram em relação ao mesmo período de 2025, enquanto outros 47% dizem que o volume se manteve estável. Apenas 18% registraram queda.

Entre os segmentos pesquisados, vestuário e calçados reforçam o cenário positivo do inverno. No vestuário, 53,6% dos lojistas afirmam que as vendas se mantiveram no mesmo patamar do ano passado e 76,8% esperam crescimento até o fim da estação. A procura por itens de cama, mesa e banho também cresceu 26,7% e a expectativa é de um aumento de aproximadamente 50% até o encerramento do inverno.

Já no setor calçadista, o movimento nas lojas ganhou força, com aumento expressivo do percentual de varejistas que classificam o fluxo de clientes como alto (de 18,2% para 35%), enquanto 90% dos empresários projetam vendas maiores, impulsionadas pela procura por produtos típicos da estação, como botas e calçados fechados.

Para o presidente do Sindilojas Porto Alegre, Arcione Piva, o frio devolveu protagonismo a categorias que dependem diretamente das condições climáticas, mas o comportamento do consumidor ainda reflete o cenário econômico.

“O inverno trouxe um estímulo importante para o varejo, principalmente porque o consumidor precisou renovar peças e buscar mais conforto térmico. Ao mesmo tempo, percebemos que ele continua comprando de forma bastante racional, pesquisando preços e controlando o valor gasto. O desafio do lojista é equilibrar esse aumento da demanda com um consumidor que continua atento ao orçamento”, afirma.

Produtos mais caros

Outro dado que chama atenção é o avanço dos preços. Segundo a pesquisa, 59% dos empresários afirmam que os produtos de inverno ficaram mais caros em relação ao ano anterior, reflexo do aumento de custos com insumos, fretes e da pressão cambial sobre a cadeia de abastecimento.

Mesmo assim, o consumidor não deixou de comprar. A pesquisa mostra que o movimento nas lojas migrou de um fluxo considerado “alto” para um movimento “médio”, indicando um comportamento mais distribuído ao longo da estação e menos concentrado em períodos específicos de frio intenso.

Embora o varejo esteja mais aquecido, o valor médio desembolsado por compra diminuiu. O ticket médio passou de R$ 321 para R$ 267, indicando que os consumidores continuam priorizando itens essenciais, levando menos produtos por compra ou optando por alternativas de menor valor.

Principais resultados

  • 82% dos lojistas esperam aumento das vendas até o fim do inverno;
  • 35% registraram crescimento nas vendas até o momento e 47% mantiveram o desempenho do ano passado;
  • 59% relataram aumento nos preços dos produtos de inverno;
  • O ticket médio caiu de R$ 321 para R$ 267, indicando compras mais planejadas e criteriosas;
  • Vestuário: 53,6% dos lojistas mantiveram as vendas no mesmo patamar de 2025 e 76,8% projetam crescimento até o fim da estação;
  • Calçados: o percentual de lojistas que classificou o movimento como alto passou de 18,2% para 35%, e 90% esperam aumento das vendas;
  • Cama, mesa e banho: vendas em 2026 já registram aumento de 26,7% e comerciantes esperam crescer 50% até o fim do inverno.

 

 

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