A tecnologia aproxima. A conexão permanece.
Artigo publicado no jornal Zero Hora de 15 de setembro de 2026
Por Alexandre Peixoto — Superintendente do Sindilojas Porto Alegre
Quanto mais tecnologia temos para conhecer e atender o consumidor, mais evidente fica o valor de algo que nenhuma ferramenta consegue reproduzir por completo: a conexão.
Essa foi uma das reflexões que a Feira Brasileira do Varejo 2026 deixou e que também atravessa os principais aprendizados reunidos no e-book FBV: O futuro do varejo contado por quem esteve lá. Em meio a discussões sobre inteligência artificial, dados, novos canais e conveniência, um tema apareceu sob diferentes perspectivas: em um mercado cada vez mais disputado, o vínculo continua sendo um diferencial.
Não por acaso, atrair e reter clientes foi apontado por 56% dos visitantes da FBV como o principal desafio do varejo. E a resposta discutida no evento passou menos por vender e mais por compreender quem está do outro lado.
A tecnologia pode ajudar. E muito. A inteligência artificial já apoia empresas na análise de dados, na personalização, no atendimento e na automação de tarefas que consomem tempo. Também começa a transformar a própria jornada de compra, sendo capaz de pesquisar, comparar e realizar transações com a autorização do consumidor.
Mas, à medida que essas ferramentas se tornam mais acessíveis, cresce a importância de quem está por trás delas. O diferencial não está apenas na tecnologia escolhida, mas na capacidade das equipes de fazer boas perguntas, interpretar informações e transformar recursos digitais em experiências melhores.
É aí que vejo uma oportunidade importante para as empresas. Ganhar eficiência em atividades cotidianas pode abrir espaço para aquilo que realmente constrói valor: ouvir, reconhecer, orientar e criar vínculos. E isso passa necessariamente pelas pessoas que estão na linha de frente da relação com o consumidor.
O futuro não coloca tecnologia e relacionamento em lados opostos. Ele exige que as empresas saibam fazer uma coisa fortalecer a outra. No fim das contas, é a qualidade da conexão que faz uma venda se transformar em vínculo e permanência.