DREX: entenda o dinheiro programável
Diferentemente do Pix, o “Real Digital” foca mais no uso entre instituições do que com consumidores

Em fase de desenvolvimento pelo Banco Central (BC), o DREX, ou Real Digital, terá uma implementação gradual ao longo dos próximos anos. Os primeiros impactos devem acontecer nas relações entre empresas, especialmente em pagamentos de maior valor, operações de crédito, garantias e liquidações financeiras entre lojistas, fornecedores e instituições financeiras. Ainda não existe uma data oficial para adoção ampla pelo varejo.
“Não há necessidade de preocupação imediata pelo pequeno e médio lojista”, avisa Caroline Capitani, professora da Alura nas áreas de inovação, liderança e criatividade, vice-presidente de Estratégia e Inovação da Ilegra (consultoria global de estratégia, inovação e tecnologia). O BC está ocupado com testes e ajustes, ainda, especialmente relacionados à privacidade, segurança e escalabilidade da plataforma. “O próprio cronograma do projeto vem sendo refinado, demonstrando a preocupação em lançar uma infraestrutura suficientemente madura antes de disponibilizá-la em larga escala”, comenta a especialista.
As operações financeiras que hoje ainda dependem de processos manuais são um dos principais alvos do DREX, que não pode ser visto como um “novo Pix”. Seu objetivo é automatizar transações entre empresas visando a uma maior eficiência.
Na prática, contratos inteligentes (smart contracts) poderão executar automaticamente determinadas etapas de uma negociação quando condições previamente definidas forem cumpridas, reduzindo retrabalho e aumentando a segurança das operações. Empresas que já utilizam sistemas modernos de gestão, Pix, pagamentos por aproximação e plataformas digitais provavelmente estarão mais preparadas para essa evolução.
“Para o pequeno varejista, essa transformação deverá acontecer de forma gradual e praticamente invisível no início, chegando por meio dos bancos e sistemas que ele já utiliza”, explica Caroline. No varejo voltado ao consumidor final, a adoção ficará mais perceptível à medida que bancos, fintechs e plataformas disponibilizarem novos serviços baseados no DREX. Por isso, ela avalia que provavelmente o consumidor demore mais para perceber essa mudança no dia a dia. Em muitos casos, ele utilizará soluções baseadas no DREX sem sequer perceber que existe uma nova infraestrutura operando por trás da transação. “A tendência é que a adaptação seja muito menos complexa do que parece”, assegura.
O DREX NÃO SUBSTITUI O PIX
“Enquanto o Pix revolucionou a forma como o dinheiro é transferido instantaneamente entre pessoas e empresas, o DREX é uma nova infraestrutura financeira baseada na versão digital do Real. Seu principal objetivo é permitir que o dinheiro seja ‘programável’, viabilizando transações mais inteligentes, seguras e automatizadas, principalmente em operações financeiras mais complexas.” – Caroline Capitani, professora da Alura nas áreas de inovação, liderança e criatividade, porta-voz da Ilegra (consultoria global de estratégia, inovação e tecnologia).
ENTENDA DO QUE SE TRATA
O DREX é a versão digital do Real que está em desenvolvimento pelo Banco Central (BC). O objetivo é tornar as transações comerciais e financeiras mais seguras. A novidade envolve não apenas uma moeda digital, mas uma plataforma de transações financeiras seguras, o DeFi.
No DeFi, os usuários realizam transações entre si, sem a intermediação de governos, bancos ou corretoras. A tecnologia usada é a blockchain, um registro digital imutável, criptografado, que pode ser compartilhado de forma descentralizada, como ocorre com as criptomoedas. Entre as inovações em DeFi estão os contratos inteligentes, um sistema que executa transações automaticamente quando condições específicas são atendidas.
Para ter acesso à Plataforma Drex, você precisará de um intermediário financeiro autorizado, como um banco. Esse intermediário fará a transferência do seu dinheiro depositado em conta para sua carteira digital do Drex, para que você possa realizar transações com ativos digitais com total segurança.
O objetivo é fomentar o desenvolvimento de novas funcionalidades, novos serviços e novas formas de prestação de serviços financeiros.
TIRE SUAS DÚVIDAS
Conforme Caroline Capitani, que atua nas áreas de inovação, experiência do usuário (UX), estratégia, modelos de negócio, startups e transformação digital, o DREX deve ganhar espaço primeiro em operações de maior valor ou maior complexidade, como crédito, relacionamento com fornecedores e garantias financeiras. Para a maioria dos pequenos negócios, a adaptação deverá ser gradual e acontecer naturalmente conforme os fornecedores atualizarem suas soluções. Para o pequeno varejista, os impactos tendem a ser graduais. O lojista precisará acompanhar a evolução dos sistemas utilizados no negócio.
A boa notícia é que a maior parte dessa adaptação deverá acontecer por meio dos
bancos, fintechs, ERPs e plataformas de gestão já utilizadas pelas empresas, sem exigir uma transformação imediata. Algumas áreas da empresa deverão acompanhar essa evolução:
- Financeiro, para entender novos modelos de recebimento, crédito e conciliação financeira.
- Tecnologia, para manter sistemas de gestão (ERP e PDV) atualizados e integrados.
- Operações, para adaptar processos internos e treinar equipes quando as funcionalidades forem disponibilizadas.
Custo de adesão: no curto prazo, não há expectativa de investimentos relevantes. Não existe indicação de que será necessária uma troca imediata de maquininhas ou equipamentos.
