Aumento do calote é ‘sinal amarelo’ para o comércio

Setores mais dependentes do crédito mantêm fôlego, diz Barbosa

Ao contrário da indústria, que está em retração desde 2010, o comércio brasileiro deverá continuar crescendo a taxas elevadas, pelo…

Setores mais dependentes do crédito mantêm fôlego, diz Barbosa

Ao contrário da indústria, que está em retração desde 2010, o comércio brasileiro deverá continuar crescendo a taxas elevadas, pelo menos até o início do segundo semestre de 2013. No entanto, o economista-chefe do Sicredi, Alexandre Barbosa, indica “sinal amarelo” para o setor, que irá se desenvolver com menor força, ao mesmo tempo em que deverá atentar para os riscos de aumento do endividamento dos consumidores e para a alta da inadimplência da população. “As vendas continuarão crescendo, mas em ritmo menos acelerado”, pontuou Barbosa durante a palestra Cenário Econômico e Perspectivas, realizada na manhã de ontem na sede do Sindilojas Porto Alegre.

A média de crescimento do comércio não deve ultrapassar o atual patamar de 7%, segundo o especialista. Ele adverte que alguns segmentos, como os de tecidos, vestuários e calçados, já se desenvolvem com menor expressão (1,7%), enquanto aqueles mais dependentes do crédito, como o de veículos e eletrodomésticos, “ainda vão bem”, com índices de crescimento acima de 20%. Mostrando visível preocupação com o risco de aumento da inflação no decorrer do próximo ano, Barbosa avaliou que os esforços do governo federal para estimular o consumo podem ter resultados adversos à meta de inflação de 4,5% ao ano. “Acredito que em 2013 o índice inflacionário retorne à faixa de 6%. E se isso acontecer, com certeza irá impactar no bolso daqueles consumidores que estiverem endividados com parcelas de pagamento”, ressaltou.

O economista-chefe do Sicredi ponderou que o governo tem cumprido, até o momento, a meta fiscal. “Este é um dos poucos esforços da União para o controle inflacionário. Porém, há risco de afrouxamento fiscal.” De acordo com o palestrante, os juros seguirão em queda, mas “não por muito tempo”. “Assim que houver alta da inflação, os juros se elevam novamente. A economia brasileira ainda não está preparada para juros baixos”, opina Barbosa.

Diante da queda de juros e do afrouxamento das medidas macroprudenciais do final de 2011, o crédito mantém a atual ascensão, acompanhando o aquecimento da renda da população. No entanto, o cenário de crise internacional e a possibilidade de inflação afetam um pouco a confiança do consumidor. “Não há dúvidas de que a renda continuará crescendo, porém, se os produtos ficarem mais caros, ninguém vai comprar”, sugeriu, ressaltando ainda que os problemas estruturais da economia brasileira não estão sendo resolvidos pelo governo, de forma que em 2013 a tendência é que os reflexos “comecem a surgir”.

Barbosa salientou aos lojistas que a projeção do Banco Central não é das mais otimistas para o PIB de 2012, que “provavelmente” fique abaixo de 2,2%. Ele lembrou que a crise internacional de 2008 afetou gravemente a produção industrial brasileira – que deve continuar com dificuldades –, e que apesar do comércio varejista e dos serviços não terem sofrido este mesmo efeito – e ainda se manterem com boas perspectivas de negócios – a continuidade da desaceleração econômica que o País vem sofrendo desde o ano passado é inevitável. Isso porque os fatores de estímulo ao consumo irão começar a ceder espaço para os riscos da inflação, reforçou o analista.

Volume de cheques sem fundos sobe em maio
Impulsionado pelas compras do Dia das Mães, o volume de cheques devolvidos atingiu em maio o maior nível para o mês desde 2009. Das mais de 78 milhões de folhas emitidas, 2,2% estavam sem fundos, segundo dados da Serasa Experian.

Em maio, a atividade do comércio teve o maior avanço mensal desde 2007, impulsionado tanto pela data comemorativa como por desonerações promovidas a alguns setores, como o de veículos.

O avanço, contudo, veio acompanhado de uma piora da inadimplência. O indicador medido pela Serasa apontou altas em relação a abril (6%) e a maio do ano passado, de 21%. Segundo os economistas da empresa, os atrasos nas contas, somados ao endividamento das famílias, ajudaram a acentuar o número de cheques devolvidos no mês passado.

O Acre foi o estado com o maior percentual de cheques sem fundos, com 15,3% do total dos emitidos.O Rio de Janeiro está na outra ponta, com 1,67%. O Nordeste (2,1%) está na frente na comparação por regiões. No Sudeste, o índice é o mais baixo, em 1,54% dos cheques emitidos.

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