BC ajusta medidas de crédito e câmbio

Iniciativa deve estimular bancos médios, reforçando sistema financeiro

Um dia depois de o presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, indicar que adotaria medidas para reduzir a expansão do crédito, a instituição anunciou “ajustes” no início da noite de ontem. Conforme o comunicado do BC, “o impacto dos ajustes sobre a liquidez do sistema financeiro é neutro” – não haveria alteração da quantidade de dinheiro circulando na economia.

No entanto, analistas não descartam a possibilidade de que a mudança na base de cálculo para o recolhimento compulsório aumente a quantidade de dinheiro retida pelo BC, o que diminuiria a disponibilidade de recursos para empréstimos. – Valor atual é valor mais alto, o que significa na prática aumento do recolhimento sobre depósitos a prazo. É mais uma forma de contenção do crédito. Não mexe na alíquota, mas como aumenta a base, vai elevar o compulsório – interpretou Carlos Thadeu de Freitas, ex-diretor do BC.

Estava prevista a média de 12 meses do patrimônio de referência dos bancos para graduar a dedução dos valores a serem recolhidos ao BC. Quanto maior o patrimônio, menor a dedução. Isso significa que grandes bancos, com maior quantidade de recursos disponíveis, serão mais atingidos. Agora, vale a posição mais recente na data de entrada em vigor da medida, que é 1º de julho.

Segundo o BC, o ajuste nos compulsórios têm por objetivo estimular que os bancos médios incorporem seus lucros recentes nos seus patrimônios, o que reforçaria a segurança do sistema financeiro. Esses bancos foram os que mais sentiram o impacto da crise financeira de 2008 e 2009, com dificuldades para tomar empréstimos.

Ajuste semelhante foi feito no método de cálculo da posição vendida de câmbio – operações que representam ganhos às instituição com a alta do real. O ex-diretor do BC projeta que serão necessárias novas medidas para diminuir a velocidade do consumo e frear a apreciação do real. – O BC ainda não mexeu no compulsório dos depósitos à vista, que deve ser o próximo a ser elevado, com efeito mais imediato no mercado – projetou Freitas.

Em série

O governo tem adotado medidas para segurar o câmbio e a oferta de crédito desde outubro passado. Confira:

– Aumento do IOF de 2% para 6% em duas etapas
– Duplicação do limite para compras do Tesouro no mercado de câmbio à vista
– Restrição à migração de aplicações em moeda estrangeira, da bolsa, com tributação menor, para renda fixa, com tributação maior
– Anúncio de recolhimento compulsório, a partir de 4 de abril, para bancos que mantiverem apostas na valorização do real acima de US$ 3 bilhões ou de seu patrimônio de referência
– Autorização para o Fundo Soberano comprar dólares no mercado futuro
– Elevação da taxa Selic para 11,75%
– Uso de medidas limitar o crédito nos setores automotivo e de bens de consumo durável
– Além de agir nos mercados de câmbio à vista e futuro, o Banco Central passa a atuar também no mercado de câmbio a termo – em que as partes acordam uma taxa prévia para uma data específica e há entrega de dólares efetivamente na liquidação

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