Com dinheiro, brasileiro arrisca mais na compra

O que faz um produto ter crescimento nas vendas? A empresa mundial de pesquisas Nielsen fez um estudo para descobrir a resposta para essa pergunta. A consultoria ouviu companhias de 110 países, tanto em…

O que faz um produto ter crescimento nas vendas? A empresa mundial de pesquisas Nielsen fez um estudo para descobrir a resposta para essa pergunta. A consultoria ouviu companhias de 110 países, tanto em mercados desenvolvidos quando em mercados emergentes, como o Brasil.

Surpreendentemente, descobriu que, no primeiro caso, o dos países ricos, as marcas próprias de grandes varejistas, como Tesco e Delhaize, são as grandes responsáveis por puxar as vendas para cima. “É um reflexo da crise econômica nesses países”, diz Luiz Gaspar, analista de mercado da Nielsen. Por aqui, entre os emergentes, o que conta é a inovação. “Com mais dinheiro no bolso, as pessoas se arriscam mais na hora de comprar um produto novo. Pensam: “se não der certo, tudo bem”. Isso não acontece quando a situação financeira está mais apertada”, diz o Gaspar.

Com esse cenário, a Nielsen resolveu pesquisar como se comportam os consumidores do Brasil e de outros seis países sul-americanos (Argentina, México, Peru, Colômbia, Venezuela e Chile) diante das novidades. Descobriu que o brasileiro é um dos povos mais propensos a experimentar inovações: 62% dos entrevistados disseram gostar de ver os fabricantes lançarem novos produtos. Na América Latina, a média foi de 48%. Na Argentina, por exemplo, esse porcentual ficou em 36%. No Chile, 33%, e 39% na Colômbia. “O que torna um povo mais ou menos favorável à novidade é, além do poder econômico, o fator cultural. E quanto a isso o brasileiro é muito aberto”, diz Gaspar.

Para ilustrar essa característica, ele cita uma parte da pesquisa em que o entrevistado precisava dizer se concordava muito ou pouco com a frase: “Prefiro comprar marcas locais a grandes marcas globais.” Marcas locais, geralmente, são menos inovadoras e mais refratárias à novidades que marcas globais. “Por isso, quando o mercado é mais local, é também mais fechado a novidades. Nessas localidades, a adesão a essa premissa é bem expressiva”, diz Gaspar. É o caso da Argentina, onde 19% dos entrevistados concordaram com a frase. No Brasil, esse índice é de 14%.

Amostras. A pesquisa também verificou em que ocasiões os consumidores ficam mais ou menos propensos a experimentar novos produtos. Entre os brasileiros, 38% disseram que se sentem muito propensos a comprar um lançamento quando o produto é recomendado por amigos ou parentes.

Mas a maior parte (45%) afirmou se sentir mais inclinada a provar um novo item quando recebe uma amostra grátis. Na América Latina, essa média é de 41%. Na hora de se informar sobre as novidades, porém, o brasileiro é mais tradicional. Do total, 44% classificou a TV como a fonte mais provável de informações sobre novidades. Buscas e anúncios na internet ficaram com 6% e 5%, respectivamente.

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