Com mais empregos, o que mudou na seleção de candidatos

Com a economia reaquecida, mais empregos são gerados e a busca por profissionais fica mais difícil. O blog encaminhou algumas perguntas para o diretor da Metta Capital Humano, Gustavo Avila. A empresa é…

Com a economia reaquecida, mais empregos são gerados e a busca por profissionais fica mais difícil. O blog encaminhou algumas perguntas para o diretor da Metta Capital Humano, Gustavo Avila. A empresa é especializada em recrutamento e seleção de profissionais e administração de estagiários e pretende aumentar em 50% o número de clientes em 2011. Confira a entrevista:

O que mudou nas negociações tanto com as empresas quanto com os candidatos com mais ofertas de emprego?

Grande parte das empresas ainda não se adaptou a esse novo patamar de empregabilidade. Estamos com índices de primeiro mundo no Rio Grande do Sul. Na grande maioria dos casos, os clientes buscam candidatos com muita experiência e conteúdo técnico, mas ainda querem oferecer pisos salariais e planos de benefícios reduzidos. Enquanto isso, os candidatos com um leque maior de opções e muito seletivos têm buscado salários acima da média, planos de benefícios adequados às suas necessidades, oportunidades que oferecem o maior desenvolvimento pessoal. Um fator decisivo na escolha do candidato por uma vaga é ter um bom ambiente de trabalho. Só assim ele permanecerá por mais tempo na empresa.

Os salários aumentaram? Os benefícios melhoraram?

As empresas menores, principalmente, costumam aumentar os salários somente depois de já ter passado por algum aperto com a falta da mão de obra. Elas abrem as vagas no valor do piso, não conseguem candidatos e só então resolvem aumentar a remuneração e agregar benefícios. Apesar de ser um processo mais lento, os contratantes estão tomando consciência de que o básico não é mais o suficiente para atrair e manter os colaboradores em sua organização. Pois pior do que ter dificuldade em conseguir novos profissionais é perder os colaboradores atuais por não se manterem atualizados com o mercado. Isso gera um prejuízo muito maior. Perde-se tempo e dinheiro com novos treinamentos e adaptações. Dependendo da área, um profissional precisa de até um ano para ser treinado.

Quais as principais vagas? Quais salários mais aumentaram?

Todos os dias ouvimos e lemos sobre o aumento da inflação. Isso é consequência do aumento do consumo, gerando, então, alta demanda por profissionais da área comercial, atendimento, relacionamento com o cliente. Atualmente, 30% dos processos seletivos de vagas profissionais na qual a Metta Capital Humano está trabalhando estão nessa área. Hoje em dia, o salário base de um executivo de vendas, assistente comercial ou vendedor de loja pode chegar a 50% a mais do que era oferecido no ano passado, excluindo a renda variável. Já nas vagas de estágio, o setor de Tecnologia da Informação (TI) tem apresentado uma alta demanda. Nessa área, tem-se notado um forte aumento na remuneração e na oferta de benefícios. São as vagas com valores mais altos de bolsa que aparecem no mercado.

Podes dimensionar o aumento do tempo de procura por um candidato?

Isso depende muito do cargo da vaga, das exigências da empresa e da própria remuneração oferecida. Temos vagas na área administrativa/financeira que conseguimos finalizar o processo em dois dias, considerando abertura da vaga e seleção do candidato pelo cliente. Mas há vagas mais técnicas, como por exemplo, desenvolvedor de software, que pode levar 40 dias para se conseguir um candidato com as exigências solicitadas. Porém, é importante esclarecer que num processo feito com calma o cliente vai ganhar na qualidade do candidato que será encaminhando e, provavelmente, será um colaborador que permanecerá por mais tempo na empresa. Em 90% das nossas vagas os candidatos passam por um processo de pré-seleção antes de serem encaminhados para a empresa. Na verdade, não existe mágica. Abrir a vaga pela manhã e querer um candidato a tarde não existe, sobretudo no atual cenário de empregabilidade no Brasil.

As exigências diminuíram? O nível de escolaridade também?

As empresas seguem querendo profissionais qualificados. As exigências não se reduziram, mas os clientes tendem a se tornaram mais flexíveis quanto à experiência. As empresas têm valorizado cada vez mais a disposição do candidato em se desenvolver e crescer na empresa, tornando-se um “empreendedor” interno nas organizações. Já a escolaridade é uma exigência cada vez maior e não mais um diferencial. Trata-se de algo essencial no mercado de trabalho, atualmente. Hoje, 70% das nossa vagas de estágio são para estudantes do nível superior, 20% para do nível técnico e 10% para quem está estudando no nível médio. Já na área de profissionais, estimamos que 90% das oportunidades abertas são destinadas para quem já tem o nível médio completo.

Quais dificuldades a empresa tem enfrentado?

Em primeiro lugar, diríamos que a falta de mão-de-obra, seja ela qualificada ou não. O maior desafio é encontrar bons candidatos. Em segundo lugar, conscientizar os empresários desta nova realidade e tendência quanto ao mercado, principalmente gestores de empresas pequenas e familiares. Há dois anos, um estudante de administração em semestre inicial tinha uma média de bolsa em torno de R$ 400. Atualmente, temos vagas que pagam R$ 600,00 e faltam candidatos interessados, mesmo com esse aumento de 50% na remuneração. Se uma organização está buscando bons profissionais no mercado para desenvolvê-los e quer reter os seus talentos, sugerimos que propicie um bom ambiente de trabalho e abra vagas com benefícios acima da média. Hoje, essa é a realidade.

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