Conexão Varejo: Mudança de hábitos dos consumidores faz mercado pet se reinventar

Veja na revista de março como os estabelecimentos fazem para conquistar os "novos tutores" e seus bichinhos.

Foi-se o tempo em que o cachorro da família dormia no quintal. Hoje, elevados ao status de membro da família, os animais de estimação têm plano de saúde, creche e muitas vezes dormem até no mesmo quarto dos tutores. Resultado disso é que o faturamento do mercado pet chegou a R$ 20,3 bilhões em 2017, registrando leve alta mesmo quando o País atravessava uma crise, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet).

Com uma população que supera 132 milhões, entre cães, gatos, aves, peixes, répteis e pequenos mamíferos, os pets estão no centro de uma mudança de comportamento nos lares, o que tem exigido uma verdadeira transformação nos negócios, que se voltam a tutores cada vez mais exigentes.

Bem-estar no centro

Uma das grandes mudanças está na preocupação com o bem-estar dos bichinhos, que se reflete no questionamento sobre a venda de animais frente a um enorme volume de cães e gatos abandonados. Na Inglaterra, por exemplo, está proibida a venda de cães e gatos com menos de seis meses nas lojas. Lá, quem quiser um filhote precisa ir a abrigos ou a criadores cadastrados como forma de pressionar pelo respeito à qualidade de vida dos animais. Recentemente, até mesmo o Facebook e o Instagram proibiram a venda de animais pelas redes. No Brasil, não há lei rígida sobre o assunto, exceto algumas resoluções pontuais regionais. Mesmo assim, são as condutas e os hábitos do consumidor pet que vêm pressionando este segmento a se adaptar.

Lugar de destaque

“É um mercado em crescimento, pois atualmente as famílias têm pets antes mesmo de ter filhos, e isso aumenta a exigência na qualidade do serviço prestado”, observa Carmen Vera Nunes, proprietária da Fashion Pet. Antes de empreender na área, Carmen atuava no setor de informática, e apostou no mercado pet como um plano de aposentadoria e para poder conviver com suas duas cachorras. Para atender às demandas atuais, a Fashion Pet trabalha com estética animal, atendimento veterinário, serviços de banho e tosa, produtos e medicamento, além do serviço de creche para cães, com ambiente amplo, piscina, gramado, climatização, recreacionistas caninos e um sistema de vídeo no qual o tutor pode acompanhar o pet a distância em tempo real.

Mas se o mercado pet está aquecido, a empresária tem clareza quanto à necessidade de inovar e oferecer qualidade nos produtos e serviços sempre. “Mesmo com essa preocupação crescente, o consumidor valoriza o seu dinheiro, por isso apostamos no cuidado e na proximidade de pets e tutores para nos destacarmos em meio à concorrência”, afirma.

Mudanças evidentes

Com um intervalo de uma década, o casal Hugo Rebello e Viviane de Azambuja voltou ao segmento, em 2014, com a Pet Shop Dog & Cão, e notou mudanças, como a humanização dos pets. Para o empresário, isso tem tanto um lado positivo quanto negativo e também é reflexo da redução do número de filhos. “Se por um lado vemos mais preocupação com o bem-estar dos mascotes, por outro, o tratamento de animais como se fossem humanos cria hábitos indesejáveis e pouco saudáveis para o pet”, alerta. Para Hugo, essa valorização do cuidado é resultado de muitas campanhas, mas também da exposição de casos de maus tratos causados por estabelecimentos que colocam o lucro em primeiro lugar. O próprio serviço de creches caninas, caminho escolhido também pela Dog & Cão, é reflexo dessa demanda por atenção. “Recebemos mais recomendações de tutores de animais do que os professores na porta da escola. Isso mostra a preocupação, que precisa ser considerada”, comenta. O fato é que as exigências sobre o segmento mudaram. Atualmente, não basta ter a maior estrutura, mas sim um cuidado verdadeiro com os animais. “É um trabalho que exige sentimento. Se não tiver esse link emocional, não sobrevive nesse mercado. E o faturamento vem como consequência do bom trabalho”, frisa o empresário.

 

População brasileira de pets

>> 52,2 milhões de cães

>> 22,1 milhões de gatos

>> 37,9 milhões de aves

>> 18 milhões de peixes

>> 2,2 milhões de répteis e pequenos mamíferos

>> TOTAL: 132,4 milhões de animais de estimação

Fonte: ABINPET

Faturamento do mercado pet brasileiro em 2017:

>> 68,6% em alimentação

>> 15,8% em serviços

>> 7,9% em produtos e cuidados

>> 7,7% em medicamentos

Para acessar a edição completa da revista Conexão Varejo de março, clique aqui.

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