Conexão Varejo: o papel das empresas na promoção da igualdade de gênero

Apesar de ser um movimento recente, as mulheres estão conquistando cada vez mais posições de comando. Como resultado está uma sociedade mais equilibrada, igualitária e humana.

Segundo pesquisa recente do Global Entrepreneurship Monitor (GEM), a atividade empreendedora feminina aumentou 10% no mundo entre 2014 e 2017, registrando o dobro do crescimento do levantamento anterior. No Brasil, o volume de e-commerces comandados por elas apresentou crescimento de 15% no último ano, e nos marketplaces as mulheres já são responsáveis por 60% dos negócios, segundo estudos da Nuvem Shop.

Mas se hoje o mercado de trabalho está mais receptivo às mulheres, especialmente em posições gerenciais e de comando, essa é uma realidade bastante recente. A empresária Rosi Luz, fundadora da Lojas Linna, por exemplo, encontrou outra situação quando começou a empreender na década de 1990. Única mulher da família atuando no comércio em meio aos irmãos e ao pai, Rosi enfrentou dificuldades até provar que poderia tocar o seu negócio sozinha. “Procurei me concentrar na empresa, no cliente, no trabalho, sem dar ouvidos a comentários que pudessem me influenciar negativamente, e conquistei respeito aos poucos”, relembra. Hoje, o contexto é outro e a empresária percebe um aumento considerável de líderes mulheres no mercado. No caso da Linna, a maioria dos cargos de chefia são ocupados por mulheres devido ao mérito, o que resulta em um ambiente de trabalho respeitoso e com um clima de igualdade com os colegas do sexo oposto.

Ainda assim, Rosi reconhece que as mulheres seguem enfrentando mais dificuldades para empreender devido a falta de equilíbrio nas tarefas domésticas. “Com muitas demandas familiares deixadas sob responsabilidade da mulher, é mais difícil equilibrar a vida pessoal com a profissional. Essa é uma crença cultural antiga que precisamos ultrapassar”, afirma.

“As empresas têm papel essencial na promoção de um movimento pela igualdade, por respeito e oportunidades independentemente do gênero.”
_Rosi Luz, diretora da Lojas Linna 

“A visão de um gênero não deve prevalecer sobre a outra. Ambas devem andar lado a lado, pois o equilíbrio das inteligências é o que vai guiar o futuro sustentável da
humanidade.”
_Soraia Schutel, CEO da Sonata Brasil

Um longo caminho

Segundo o Ministério do Trabalho, as mulheres compõem hoje um percentual importante na força de trabalho brasileira, somando 44% dos empregos. Fora a realidade estrutural, o poder de escolha das mulheres é fator impactante neste contexto de acordo com a consultora Soraia Schutel. A cofundadora e CEO da Sonata Brasil,
empresa de educação corporativa, explica que, embora o machismo ainda seja uma realidade nas organizações, a mulher que consegue reconhecer o seu valor tem mais chances de crescimento. “Aquelas que sabem negociar seu salário, são autônomas e não aceitam discriminação são protagonistas na construção da própria carreira.” O empoderamento, segundo a especialista, deve acontecer de dentro para fora, e proporcionar ambientes que estimulem e desenvolvam a autoestima da mulher é fundamental. No entanto, mesmo que as perspectivas femininas no mercado de trabalho sejam positivas, apenas 8% dos cargos de presidência são ocupados por mulheres em empresas brasileiras. Para Soraia, esse é um dos pontos a se considerar quando se fala sobre a igualdade no meio corporativo. “Em primeiro lugar é necessário que as organizações compreendam que as mulheres possuem uma aguçada inteligência socioemocional e são intuitivas. E é exatamente esse o grande diferencial que destaca as organizações no mercado hoje”, avalia. Para Soraia, trazer mulheres para a gestão e para os cargos de lideranças implica humanizar as empresas, engajar pessoas e, por consequência, gerar mais resultado.

 

Empresas mais humanas

Um dos vários aspectos da humanização das empresas tem a ver com a gestão. Tornar as companhias mais favoráveis às mulheres significa também ter um olhar atento para causas delicadas, como a violência doméstica, por parte das lideranças. Como informa a delegada Cláudia Cristina Santos da Rocha, que comanda a Secretaria Municipal de Segurança Pública de Porto Alegre e já foi titular da DEAM – Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher da Capital, situações que acontecem fora do trabalho acabam afetando as empresas. “Muitos crimes contra as mulheres poderiam ser evitados se as pessoas não achassem que não devem se meter em briga de casal. Por isso, é importante que as empresas abordem esse assunto e sejam locais onde as mulheres se sintam acolhidas e seguras caso precisem.” Iniciativas de proteção à mulher podem, inclusive, colaborar para que mais denúncias sejam feitas, já que, às vezes, situações de violência em casa são silenciosas.

“Prevenção é sempre o melhor remédio, por isso as empresas precisam ter espaços de discussão para temas como a violência contra a mulher.” 
_Cláudia Cristina Santos da Rocha, secretária municipal de Segurança Pública

 

Tipos de violência contra a mulher

Não é só fisicamente que a violência acontece. Por isso, conheça algumas das formas mais comuns de abuso vividas pelas mulheres, especialmente no ambiente profissional, apontadas pela secretária municipal de Segurança Pública, Cláudia Cristina Santos da Rocha, e
combata essas práticas na sua empresa:

Manterrupting:
Ocorre quando uma mulher não consegue concluir sua frase porque é interrompida por um ou mais homens. Essa forma de machismo invalida as colocações femininas, como se fossem inapropriadas.

Mansplaining:
É quando um homem acha que precisa explicar algo a uma mulher, como se ela não fosse capaz de compreender sozinha. Muitas vezes, eles tentam explicar assuntos em que elas são especialistas.

Gaslighting:
É um tipo de abuso psicológico que leva a mulher a achar que está louca ou está errada sobre algum assunto. Geralmente vem com discursos como “só pode estar de TPM”.

Bropriating:
Se refere a quando um homem se apropria da ideia de uma mulher e leva o crédito por ela.

*Esta matéria foi publicada na edição de março da revista do Sindilojas Porto Alegre, Conexão Varejo. Clique aqui para acessar a versão digital.

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