Consignados: mais da metade dos varejistas da Capital têm funcionários com contratos ativos
Dados preliminares de pesquisa do Sindilojas Porto Alegre mostram efeitos de empréstimos facilitados sobre trabalhadores do setor
O aumento do acesso ao crédito consignado tem alterado o comportamento financeiro de trabalhadores e acende o alerta para o endividamento e seus reflexos no mercado local, segundo o Sindilojas Porto Alegre. Para analisar esse cenário, a entidade realiza uma pesquisa com empregadores do varejo da Capital, que já aponta, em dados preliminares, uso recorrente da modalidade: mais da metade dos empreendedores ouvidos (56,30%) relatam ter funcionários com empréstimos consignados ativos.
Os dados detalhados da pesquisa demonstram a vulnerabilidade da população diante da oferta facilitada de crédito, com registro de 25% dos trabalhadores com dívidas superiores a R$ 5 mil e 45,40% com quatro ou mais contratos simultâneos. O caso mais extremo identificado é de um colaborador com nove empréstimos acumulados em seu nome. Já em relação às taxas de juros, o valor mediano é de 8,63% ao mês.
“O crédito é uma ferramenta importante, mas precisa ser utilizado com planejamento e responsabilidade. Temos acompanhado com atenção o aumento do número de pessoas endividadas e situações em que o trabalhador acaba rompendo seu vínculo formal após assumir compromissos financeiros que não consegue sustentar. Isso gera impactos sociais e também econômicos, afetando diretamente o ambiente de negócios”, pondera o presidente, Arcione Piva.
Endividamento chega a 85% das famílias de Porto Alegre
Atualmente, o índice de endividamento entre as famílias de Porto Alegre chega a 85%, com comprometimento da renda na faixa de 29,5%, segundo dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência das Famílias Gaúchas (PEIC-RS). O cenário reflete a pressão sobre o orçamento das famílias e a crescente dependência de crédito para equilibrar despesas. No último ano, a retirada de empréstimos por pessoas físicas cresceu 8,3% em todo o Brasil.
Entre as principais modalidades disponíveis estão o consignado para trabalhadores com carteira assinada (CLT), aposentados e pensionistas do INSS, servidores públicos e a antecipação do saque-aniversário do FGTS. Em comum, todas permitem o desconto automático das parcelas, com limites que podem chegar a até 35% ou mais da renda mensal, dependendo do público.
Em situações de demissão, a dívida deixa de ser descontada em folha e passa a ser cobrada como crédito comum, podendo levar à inadimplência. Já na antecipação do FGTS, o trabalhador acessa recursos imediatos, mas compromete valores futuros do fundo, muitas vezes com taxas significativamente superiores ao rendimento anual do saldo.
O Sindilojas Porto Alegre reforça a importância da educação financeira e da análise criteriosa antes da contratação de crédito, especialmente em modalidades que envolvem garantias como salário e FGTS. Para a entidade, o equilíbrio financeiro dos consumidores é fundamental para a sustentabilidade do varejo e para a manutenção de vínculos no mercado de trabalho.