Consumidor acorda na última hora para compras ligadas ao Mundial

Varejo aposta que vendas vão decolar na medida em que a seleção avançar rumo ao hexa

Os consumidores acordaram tarde para as compras da Copa do Mundo. Somente nas últimas duas semanas lojas e mesmo ambulantes nas esquinas em Porto Alegre colhem o que acreditam ser parte da empolgação com o Mundial. A aposta é que as vendas vão decolar na medida em que a seleção avançar na disputa. Vedetes eternas da competição, televisões em dimensões acima de 50 polegadas, alvo das maiores promoções e corte de preços das redes para desovar estoques, fazem a festa entre torcedores desde a semana passada, segundo o varejo. Mas o resultado deve ficar longe da expectativa de negócios com os aparelhos que o setor projetou na largada do ano.

Da gaúcha Lojas Colombo à francesa Fnac, campanhas promocionais associadas a vantagens econômicas ou bonificação buscaram empolgar o bolso dos clientes. Os atrativos focam desde cheque presente no valor da TV comprada (Fnac) até quitação da última parcela do financiamento da televisão, de qualquer tamanho, na Colombo. Mas tudo se o Brasil chegar ao Hexa. As ações tentaram contornar uma dificuldade flagrada na pesquisa da Confederação Nacional do Comércio (CNC), que apontou que metade dos brasileiros não estava disposta a comprar produtos ligados à Copa. Além disso, apenas 13,3% iriam adquirir uma TV nova. Nas cidades-sedes, como Porto Alegre, a taxa era mais baixa, com 12,6% dos consumidores declarando disposição para gastar na temporada de futebol.

Atrás de mais receita, a rede gaúcha decidiu fazer nesta sexta-feira e no sábado a promoção “48 Horas Pra Levar Tudo Colombo”. Nos dois dias, as filiais do Estado, de Santa Catarina e do Paraná terão descontos agressivos e parcelamento em até 14 vezes. Televisores serão um dos alvos, segundo a rede. O superintendente da empresa, Rodrigo Miceli Piazer, admitiu que a cultura do brasileiro de deixar as decisões, e as compras, para a última hora comprometeu as metas de vendas. O nível atingiu 47% desde 15 de maio, acima da marca de 2013 neste período, mas até abril girou entre 25% e 30% no setor de TVs. “Agora engrenou”, definiu o executivo. A rede vendeu 20 mil unidades desde janeiro, mas o setor e os fabricantes esperavam manter alta de 50% nos seis meses.

Na onda da última hora, comprar uma televisão não satisfaz. A cuidadora de idosos Elda Garcia Silveira entrou em uma das lojas situadas na rua Doutor Flores, um dos pontos mais movimentados na temporada de Copa no Centro da Capital, e saiu com dois aparelhos. Elda aproveitou a chance para aposentar dois, de 20 e 24 polegadas, que não atendiam mais às exigências da dona da casa. “Parcelei em três vezes, pois o preço estava muito bom. Agora vou torcer para que o Brasil chegue à final para não me frustrar e amargar a prestação”, brincou Elda. “Lá em casa vai ter quitutes de festa junina e TV nova.”

Estabelecimentos decorados de balões e bandeirolas em verde e amarelo e com foco em campanhas de preços mais baixos de televisores acabam fisgando potenciais compradores. A promotora de produtos de uma das fabricantes Adriana Alcará citou que um dos modelos, com 60 polegadas, reduziu quase R$ 1 mil. “Tem gente que trocou o aparelho de tubo por uma de tela plana de 60 polegadas!”, comentou a consultora. Uma marca tentou atrair clientes com promoção que a cada R$ 100,00 de compra concorre a uma TV de 60 polegadas. Adriana garante que as vendas estouraram há duas semanas, com crescimento de 60% frente ao mesmo período de 2013.

Na Fnac, as vendas cresceram 50% após a estreia da promoção em que na compra de TV o cliente pode ganhar o valor em vale-presente caso o Brasil conquiste a taça ganhando no tempo regulamentar. “Isso atraiu muita gente que não comprou ingresso para assistir aos jogos nos estádios e resolveu investir na qualidade de imagem para ver em casa”, acredita o diretor comercial no Brasil, Fábio Gabaldo. O movimento também acelerou em maio. O bônus vale principalmente para modelos acima de 50 polegadas. Segundo Gabaldo, a Copa de 2014 tem a marca das telas gigantes. “Já são os modelos mais vendidos”, sinaliza o diretor comercial. Também na linha de itens licenciados, como o boneco do mascote Fuleco, a procura aqueceu desde a semana passada.

Vendedor da filial da Ponto Frio no Centro, Anderson Gomes narrou as peripécias de clientes para adquirir a televisão tamanho família. Gomes contou que uma moradora do Pará, em passagem pela Capital, comprou um modelo de 50 polegadas e pediu para ele carregar o produto até a estação Trensurb, no Mercado Público. “Ela pagou até a passagem para eu colocar dentro do trem e ainda queria que carregasse até o Aeroporto Internacional Salgado Filho, onde embarcaria em um voo para a cidade uruguaia de Punta del Este!”, narrou o vendedor. “Não fui, né. Era demais.”

Venda de produtos para torcedores aquecem na véspera dos jogos

O entusiasmo de torcedores despertou em cima da estreia do Mundial. Lojas especializadas em itens para decoração, produtos licenciados ou promocionais e de animação registram maior procura desde o começo de junho. Lideram as compras principalmente bandeiras para carros e as barulhentas cornetas, produto que tenta rivalizar com a popularidade que a vuvuzela angariou no Mundial na África do Sul. Uma pista que pode explicar o ritmo mais lento foi dada pela pesquisa da CNM, que apurou em menos de 15% os residentes das cidades-sedes dispostos a comprar produtos que lembram a competição.

No estande da matriz da Big Center Festa, na zona Norte da Capital, as cornetas estavam nas últimas unidades na quarta-feira passada. Foram encomendadas 20 mil para abastecer filiais na Capital e no Interior. “Não vai faltar produto. Se precisar, encomendamos mais”, avisa o diretor comercial, Luís Fernando da Silva. O Fuleco, mascote da Copa, em diversos tamanhos, também têm adeptos. A empresa fez estoque de 1,25 mil unidades e já vendeu 600. A expectativa é de que com o avanço da competição e do Brasil, frisa Silva, o mascote tenha mais procura. “Vendemos 70% do estoque dos produtos, com aquecimento nas duas últimas semanas”, especifica o diretor.

São 300 produtos diferentes, de chaveiro a balas e fantasias nas cores verde e amarela. Balões metálicos têm encomendas para entrega a domicílio. A rede espera elevar em 32% o faturamento comparado ao mesmo período de 2013. O casal Solange e Márcio Gomes admitiu ter deixado para o dia anterior ao primeiro jogo do Brasil a compra dos itens que faltavam para torcer. Com tanta variedade, ficou difícil escolher. “Vamos levar bandeira e colocar na frente de casa. Poucos vizinhos entraram no clima”, descreve Gomes, que atua como autônomo. “Quando a Copa era em outro País, parecia que empolgava mais”, constata Solange.

A Big Center Festa fez a maior encomenda de cornetas da fabricante Apolo Brinquedos, com sede em São Paulo. O representante comercial da Apolo no Estado, Vinicius Fagundes Hormes Fialho, informa que foram enviadas a varejos locais cerca de 40 mil unidades e no País mais de 1 milhão.

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