Consumo aquecido incentiva aumento das importações

No período de seis anos, a maioria das máquinas e equipamentos no país passou a vir do Exterior

A pressão do câmbio e a competição asiática têm causado uma reviravolta no comércio de bens de capital entre o Brasil e o Exterior. Atualmente, seis de cada 10 máquinas adquiridas por companhias nacionais foram importadas, divulgou ontem a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). Há pouco mais de seis anos, a situação era inversa: seis de cada 10 máquinas eram brasileiras.

O avanço das importações foi expressivo no país no ano passado. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, as compras externas subiram de US$ 127,7 bilhões, em 2009, para US$ 181,6 bilhões, em 2010, alta de 42%.

Levantamento realizado pela Agência Folha com informações da Organização Mundial do Comércio (OMC) em 65 países mostra que o Brasil foi o quinto que mais aumentou, em termos percentuais, as importações no ano passado, ficando atrás apenas de Indonésia, Argentina, Paraguai e Taiwan.

Os manufaturados, em especial carros, estão entre os que mais ganharam espaço. A importação de automóveis de passageiros, o segundo maior item de compras, cresceu 56% em 2010, em relação a igual período anterior. O Brasil ganhou quatro posições entre as economias que mais importaram e duas entre as que mais exportaram. Em ambas as situações, passou a ocupar o 20º lugar.

Bruno Lavieri, analista da consultoria Tendências, pondera que o real estava mais valorizado em 2010, o que impulsionou as importações. Mas lembra que a base de comparação de 2009 pode ser considerada fraca, pois o país foi afetado pela crise.

Revolta árabe pode estimular déficit na balança comercial

O dirigente da Abimaq concorda que o mercado de bens de capital está aquecido no Brasil, porém a indústria nacional tem sido prejudicada por concorrentes asiáticos, que usam o câmbio “artificial” e obtêm vantagem “desleal”. A China é o segundo maior exportador de máquinas para o Brasil, atrás apenas dos EUA. Com o atual cenário, não há incentivo para a realização de grandes investimentos – o total deve somar R$ 4,8 bilhões este ano. Com as perspectivas de que a demanda interna continue aquecida, principalmente puxada pelo consumo das famílias, a tendência é de que as importações sigam ganhando espaço, complicando ainda mais o cenário em caso de um agravamento das turbulências no norte da África e no Oriente Médio e a consequente manutenção da escalada nos preços do barril de petróleo. – Esse cenário gera dúvidas sobre o Brasil, pois a queda na cotação das demais commodities tem um impacto direto nas nossas exportações. O que hoje é superávit (no saldo da balança comercial) pode virar déficit – alerta o vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, lembrando que cerca de 70% da pauta de exportações brasileiras são commodities. E as importações crescendo e exportações estagnadas ou eventualmente em queda podem acabar colocando em xeque o resultado das contas externas.

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