Devedores Anônimos: A doença do endividamento compulsivo

O endividamento compulsivo é considerado uma doença. Mas briga com o preconceito de quem o encara como apenas irresponsabilidade ou até falta de caráter.

Há casos de pessoas com dívidas que superam R$…

O endividamento compulsivo é considerado uma doença. Mas briga com o preconceito de quem o encara como apenas irresponsabilidade ou até falta de caráter.

Há casos de pessoas com dívidas que superam R$ 100 mil. Que tem um salário de R$ 4 mil, mas recebe apenas R$ 700. O resto é descontado em folha de pagamento e o que sobra já está comprometido com outras dívidas. E, depois, as compras são guardadas em dezenas de armários ou na casa de amigos, porque o devedor compulsivo também não consegue se desfazer dos objetos.

O endividamento compulsivo é mais evidente em países desenvolvidos, explicou o psiquiatra Leandro Luz ao programa Destaque Econômico, na Rádio Gaúcha. A melhora na economia brasileira e o acesso ao crédito foram gatilhos para pessoas que já tinham a obsessão pelo prazer imediato do consumo. Afeta principalmente as classes média e média alta.

No Rio Grande do Sul, o nível de endividamento é maior entre famílias com renda acima de dez salários mínimos. Em agosto, chegou a 73,5% dos entrevistados pela Fecomércio-RS. O principal é o cartão de crédito. Metade delas tem dívidas em atraso, ou seja, está inadimplente.

No Devedores Anônimos, endividados compulsivos se reúnem e trocam experiências. A dinâmica é igual ao já bem conhecido Alcoólicos Anônimos. Há, no entanto, uma diferença essencial. Quem é alcoólatra ou drogado deve viver na abstinência total. O consumista não. Em geral, será exposto a compras diariamente. É o gatilho disparado. O difícil é segurar a bala.

O grupo Devedores Anônimos está sempre aberto a novos participantes e ao retorno dos antigos. As reuniões acontecem no prédio da Cruz Vermelha, na Avenida Independência, 993, em Porto Alegre. Quintas, das 10h às 12h.

Telefones: 51.91531050 / 51.33915955 / 51.33115140

Sinais de débito compulsivo
(Fonte: Devedores Anônimos – RJ)

1. Não ser claro sobre a sua situação financeira. Não saber balanço de contas, despesas mensais, taxas de empréstimos, bens, ou obrigações contratuais.

2. Tomar emprestado frequentemente itens como livros, canetas, ou pequenas quantias de dinheiro de amigos e outros, e falhar ao devolvê-los.

3. Poucos hábitos de economizar. Não se planejar para taxas, aposentadoria ou outro itens previsíveis, e então ficar surpreso quando eles se tornam um débito; uma atitude de “viva por hoje, não se preocupe pelo amanhã” .

4. Compras compulsivas: ser incapaz de não perder uma “boa oportunidade”; fazer compras impulsivas; deixar etiquetas de preço nas roupas e então elas poderão ser trocadas; não usar itens que você comprou.

5. Dificuldade em encontrar as finanças básicas e obrigações pessoais, e ou nenhum senso de comprometimento quando tais obrigações são encontradas.

6. Uma sensação diferente quando está comprando coisas no cartão de crédito ao invés de pagar a vista com dinheiro, um sentimento de pertencer ao clube, de ser aceito, de ser adulto.

7. Viver num caos e drama em torno de dinheiro; usando um cartão de crédito para pagar o outro; cheques devolvidos; sempre lidando com uma crise financeira.

8. Uma tendencia a viver na fantasia: vivendo de pagamento a pagamento, correndo riscos com a saúde e seguro do carro, fazendo cheques esperando que o dinheiro vai aparecer para cobri-los.

9. Inibição e embaraço com o que deveria ser uma discussão normal sobre dinheiro.

10. Trabalhando demais ou recebendo menos que você merece; trabalhando horas extras para ganhar mais dinheiro a fim de pagar os credores; usando o tempo de forma ineficiente; aceitando trabalhos abaixo da sua capacidade e nível de estudos e educação.

11. Uma má-vontade de tomar conta e de valorizar você mesmo. Vivendo uma vida imposta por você mesmo; negando a si mesmo suas necessidades básicas a fim de pagar os seus credores.

12. Um sentimento de esperança de que alguém irá tomar conta de você se necessário, de forma que você não estará em sérios problemas financeiros; que sempre haverá alguém a quem você pode recorrer.

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