Domingo cai no gosto do consumidor da Capital

Ninguém imagina o comércio de Porto Alegre sem abertura de lojas aos domingos. Depois de quase oito anos de disseminação da prática, a Câmara de Dirigentes Lojistas da Capital (CDL-POA) assegura que o dia…

Ninguém imagina o comércio de Porto Alegre sem abertura de lojas aos domingos. Depois de quase oito anos de disseminação da prática, a Câmara de Dirigentes Lojistas da Capital (CDL-POA) assegura que o dia da semana só perde para sábado no desempenho em vendas do setor. O confronto considera o maior peso da operação de shopping centers, segmento que costuma adotar como regra o funcionamento dos estabelecimentos.

O comércio de rua raramente segue a prática. Além dos centros comerciais, o polo de mobiliário na avenida Ipiranga reforça o caixa do varejo na jornada dominical.
A consagração da data como fonte de receita e de empregos, segundo entidades de lojistas e comerciários locais, coincide com o fim da disputa judicial entre defensores e opositores da medida. O advogado Eduardo Caringi Raupp informa que a novela da tramitação da Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin), que tornou desde agosto de 2002 sem efeito a lei municipal contra a abertura, teve encerramento definitivo no começo deste mês. Para o presidente da CDL-POA, Vilson Noer, a cultura de compras no dia ganhou mais impulso com a adesão em massa dos grupos familiares. “Virou hábito”, atesta Noer, lembrando que as vantagens se completam com o trânsito mais tranquilo.A entidade contabilizou o impacto no faturamento do setor e apontou que a receita por hora de funcionamento no domingo é 16% maior que o ganho médio dos demais dias da semana. Segundo o presidente da Câmara, as lojas de shopping, que respondem pela maior proporção na atração de clientes, abrem seis horas e asseguram R$ 2,66 milhões por hora de funcionamento. De segunda a sábado, o ganho por hora é de R$ 2,284 milhões, considerando média de dez horas diárias de funcionamento. No cálculo cálculo, ponderamos que o domingo responde por 70% do faturamento das demais jornadas”, explica. Noer levou em conta faturamento mensal de R$ 685 milhões em 2009, cerca de R$ 8,2 bilhões no ano. A direção do Praia de Belas Shopping reforça que o dia já ocupa a segunda posição. Em janeiro, o movimento representou 75% do fluxo de pessoas de sábado, quando as lojas abrem o dobro do tempo, 12 horas. O empreendimento cria eventos para atrair mais consumidores, de adultos a crianças. No Moinhos Shopping, a gerente de marketing, Cláudia Teixeira, confirma que o domingo é segundo em vendas, perdendo apenas para quinta-feira, que, diferentemente de outros centros, é a campeã de negócios. “As pessoas consagram cada vez mais o hábito das compras dominicais”, identifica Cláudia, indicando a opção após passeio por parques e cafés na região. As cem lojas do estabelecimento, aberto em 2000, pouco antes da disseminação do funcionamento em mais um dia, também ampliaram empregos e mudaram sistema de trabalho para valorizar o domingo. No ramo de autosserviço, o dia é o que mais cresce em fluxo e receita das lojas situadas em municípios com a liberalidade, segundo o presidente da Associação Gaúcha de Supermercados (Agás), Antônio Cesa Longo. O faturamento dos negócios no domingo cresce entre 10% e 12% ao ano, segundo Longo, ressaltando que as lojas de maior porte, como hipermercados, capitalizam mais a flexibilidade. “Virou programa de família ir ao super, que oferece perfil de conveniência”, atesta o supermercadista. “O dia já é o segundo em volume de vendas neste porte de estabelecimento”, dimensiona Longo. No ramo, os benefícios da abertura não são unanimidade. Enquanto os grandes ostentam ganhos, os médios e pequenos alegam dificuldades para fazer frente a custos, ter escala e
assegurar fluxo de clientes. O diretor do Asun Supermercados, Antônio Ortiz Romacho, alega que só abre nove das 12 filiais da Capital para não perder espaço. “Abrimos menos tempo e também não temos o fluxo de pessoas dos dias de semana. Ganha mais quem tem mais atrativos, como estar em shopping”, justifica Romacho, que aponta extinção gradativa de minimercados nas regiões onde os hipermercados abrem. “Deveria haver alguma proteção ao pequeno”.

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