Economia brasileira tem maior crescimento desde 1996, mas acende alerta de superaquecimento

Ainda reflexo das medidas de combate à crise global, a economia cresceu 9% no primeiro trimestre em relação ao mesmo período do ano passado, no maior salto da atual metodologia do IBGE. Se for tomado como…

Ainda reflexo das medidas de combate à crise global, a economia cresceu 9% no primeiro trimestre em relação ao mesmo período do ano passado, no maior salto da atual metodologia do IBGE. Se for tomado como referência o final de 2009, a expansão foi de 2,7%.

Mas o ritmo acelerado, que só perde para a China entre as economias mundiais, não vai se repetir no segundo trimestre: na reunião do Comitê de Política Monetária, hoje, o Banco Central deve decidir por uma nova alta de juro para conter a velocidade do avanço.

Com bons indicadores de recuperação da atividade industrial e do investimento em produção, o desempenho indica que o país superou a crise de 2008, mas que precisa encontrar um ritmo adequado de expansão para evitar pressões inflacionárias e desequilíbrios setoriais, especialmente em itens como transporte, energia e mão de obra.

Ao se dizer surpreso com o resultado, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, advertiu que o índice representa o “auge do crescimento”:

– Temos de lembrar que isso se dá em relação a um ano (2009) que foi fraco. Todos os estímulos estavam em vigor: as desonerações do IPI, a redução do compulsório e a taxa de juros, em seu menor patamar. A trajetória daqui para frente é de um crescimento moderado.

De qualquer forma, a forte expansão no primeiro trimestre fez o ministro elevar sua previsão para o ano de 5,5% a 6% para um avanço entre 6% e 6,5% em 2010.

– O Brasil merecia e precisava disso – disse o presidente Lula, ao avaliar o crescimento como “exuberante”.

O avanço, como o consumo doméstico que cresceu 9,3% em relação ao início de 2009, porém, preocupa.

– Não é possível crescer só vendendo ventiladores e máquinas de lavar. O governo não criou incentivos para investimentos em infraestrutura e, com isso, cria uma bolha de consumo que em algum momento vai estourar – alertou o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura, Adriano Pires.

O professor Rogério Sobreira, da Fundação Getulio Vargas (FGV), também vê riscos na taxa de expansão. A disparidade entre consumo e produção pode gerar problemas, projetou:

– A taxa de investimento atual não sustenta esse crescimento. A capacidade instalada da economia aumentou menos do que o consumo.

A busca pelo equilíbrio
POR QUE SUBIU
1 O consumo das famílias se manteve em alta, com 6% em 12 meses fechados em março. Pela ótica da demanda, o consumo das famílias representou 62% do PIB.
2 A atividade econômica da indústria recuperou o fôlego pré-crise e zerou as perdas do período.
3 A taxa de investimento cresceu e chegou a 18% do PIB. Isso indica que as empresas retomaram a confiança na economia.
4 A base de comparação era baixa. Como a economia passou parte de 2009 ostentando índices negativos, a retomada representou uma arrancada maior que a média.
POR QUE O RITMO VAI DIMINUIR
1 A inflação se acelerou em março e já foi preciso elevar a taxa básica de juros.
2 O índice de agora não é real, pois representa o comportamento da economia no esforço de superação da crise estimulado pelo governo com incentivos tributários e queda dos juros. O ajuste é necessário para evitar que um ritmo forte de avanço crie uma bolha de consumo que resulte em inflação e desabastecimento.
3 Ainda que tenha batido recorde de crescimento, o volume de investimento é insuficiente para manter as taxas atuais de expansão da economia sem provocar pressão sobre preços.
4 As empresas compraram muito lá fora. O desequilíbrio das contas externas, com déficit nas transações comerciais, pode comprometer a qualidade das reservas cambiais, fundamentais no momento mais agudo da crise de 2008.

Fim de incentivos freia 2º trimestre

Dados setoriais apontam que a economia brasileira segue em ritmo acelerado no segundo trimestre. Para tranquilidade do governo, entretanto, o nível do avanço é mais brando.

Um dos termômetros é o licenciamento de veículos. As vendas cresceram 26% em março, último período do primeiro trimestre. Em abril, a expansão encolheu para 17%. No mês passado, perderam ainda mais ritmo e avançaram apenas 4% ante igual período de 2009. O setor retrata bem, apontam economistas, a tendência de antecipação do consumo, que marcou o primeiro trimestre e fez o PIB crescer numa velocidade atípica.

Esse cenário foi estimulado principalmente pela redução do IPI para veículos e eletrodomésticos. Na área de energia, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) registrou recuo de 1,2% no consumo em maio, na comparação com abril.

Para Rafael Bacciotti, da Tendências Consultoria, há um “arrefecimento da economia” no segundo trimestre por conta do fim de incentivos e do aumento do juro.

Oferta de crédito estimula consumo e investimentos

Sérgio Vale, economista da MB Associados, concorda que a partir do segundo trimestre o crescimento se acomodou. Apesar da freada, Vale espera expansão do PIB de 7,9% ante o segundo trimestre de 2009 e de 1,1% sobre o primeiro trimestre deste ano.

Segundo o economista, há fatores que ainda seguem como estímulo ao consumo e ao investimento. É o caso do crédito, que avançou 11% em maio.

Na avaliação de Paulo Godoy, presidente da Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), o crescimento em níveis elevados deve permanecer por algum tempo, já que o reflexo da alta do juro só será sentido “após alguns meses”.

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