Especialistas prevêem Natal de fartura e crise só em 2009 no Brasil

O crescimento de 1,2% das vendas no comércio varejista em setembro deste ano – na comparação com 2007 registrou alta de 9,4% –, medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE), ainda…

O crescimento de 1,2% das vendas no comércio varejista em setembro deste ano – na comparação com 2007 registrou alta de 9,4% –, medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE), ainda não expressa as conseqüências da turbulenta crise internacional. De acordo com especialistas no setor varejista, os números positivos divulgados ontem pelo IBGE refletem claramente o período de bonança vivido pela economia brasileira nos últimos anos.

Para esses mesmos especialistas, o 13º salário representou um componente importante para impulsionar as vendas no período. Só em setembro, R$ 6,9 bilhões foram injetados na economia do país.

Christian Travassos, economista da Federação do Comércio Varejista no Rio de Janeiro (Fecomércio-RJ), sustenta que os números apresentados ontem ainda não têm relação com a crise. Ao contrário, registram a expansão do crédito, do emprego e da renda.

– Esse aumento provém de uma base forte, elevada, em que o comércio crescia na casa dos 10% – afirmou Travassos. – A crise internacional, no entanto, força um cenário menos favorável e com perspectivas mais realistas.

O economista prevê um crescimento de 4,5% das vendas no Natal deste ano. Para 2009, a expectativa, no entanto, é de desaceleração: alta de 3%. Antes, porém, a previsão era de expansão de 5% no próximo ano.

Guilherme Dietze, economista da Fecomércio-SP, concorda com o colega, mas pondera que é muito difícil mensurar o nível de arrefecimento da economia no próximo ano. Para Dietze, trata-se de um “cenário bastante obscuro, mas que afetará emprego, renda, crédito e produção”. Ressalta, ainda, que nos próximos meses as novas pesquisas já registrarão um panorama mais realista da crise.

13º salário
É o que pensa o presidente da Associação de Lojistas de Shopping Centers (Alshop), Nabil Sahyoun, ao apostar que o Brasil só será afetado pela crise em 2009, pelo menos no varejo.

– Por enquanto, só os setores mais representativos, como a indústria automobilística, sentem mais agora. Ninguém deixará de comprar os tradicionais presentinhos no fim do ano – reforça, ao contar com o incremento de R$ 78 bilhões na economia oriundos do 13º salário.

Marco Quintarelli, consultor de marketing e varejo, disse que muita gente antecipou as compras de Natal movidos pela crise. Esse movimento foi sentido, principalmente, em categorias como eletroeletrônicos e imóveis, mas só começou a ser sentido a partir do fim de setembro.

– O preço destes produtos sofre influência do dólar que, até agora, não foram reajustados – explicou, ao ponderar que muitos varejistas fizeram um esforço maior para colocar estes produtos para fora, já que há uma forte tendência de alta a partir de janeiro.

As indústrias do Rio, por enquanto, estão imunes à crise. Segundo o economista da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) Patrick Carvalho, o primeiro semestre apresentou um dos maiores crescimentos.

– A crise afetou o mercado de capitais, o mercado de crédito e o comércio exterior, por meio da taxa de câmbio e do preço das commodities. Mesmo assim, a demanda continua robusta, e nós não sentimos nenhuma alteração. Por isso esperamos um Natal bom este ano – observa Carvalho, ao ressaltar que 30% da indústria fluminense vai contratar mais para poder dar conta dos pedidos.

Já o presidente da Associação Brasileira dos Importadores e Exportadores de Brinquedos e Produtos Infantis (Abrimpex), Eduardo Benevides, também não enxerga crise neste Natal. Pelo menos por enquanto. Prevê taxas menores, e mais realistas, da ordem de 7% a 10%, mas sustenta que os lojistas ainda não reajustaram os preços dos importados.

– Mais de 70% dos nossos produtos são importados, e os lojistas mantiveram os preços com medo de não venderem – disse. – Até o segundo semestre de 2008, esperamos crescer 27,7%.

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