Espera por vaga de trabalho cai à metade em Porto Alegre entre 1999 e 2012

Recolocação no mercado de trabalho agora ocorre em 21 semanas, período que há 14 anos chegava a quase um ano inteiro.

Trabalhadores desempregados padeciam quase um ano na fila, em 1999, quando o tempo…

Recolocação no mercado de trabalho agora ocorre em 21 semanas, período que há 14 anos chegava a quase um ano inteiro.

Trabalhadores desempregados padeciam quase um ano na fila, em 1999, quando o tempo médio para encontrar uma vaga era de 46 semanas. Em 2012, no último dado disponível, a espera foi reduzida para 21 semanas — pouco mais de cinco meses.

Mas o que ocorreu para que o tempo médio de procura por uma vaga no mercado de trabalho caísse pela metade? A explicação está na taxa de desemprego. Em 1999, orbitava em alarmantes 19% na região metropolitana de Porto Alegre, pelos dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED). No ano passado, baixou para 7% — um recorde desde 1993, quando foi iniciado o levantamento.

— Quanto maior é a taxa de desemprego, maior é a tendência de aumentar o tempo de procura por uma vaga — diz Ana Paula Queiroz Sperotto, coordenadora da PED pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Nos últimos 20 anos, o tempo de procura por emprego oscilou de acordo com o impacto das diferentes crises econômicas. A situação, no momento, é favorável. Especialista em economia do bem-estar social, Waldir José de Quadros, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), observa que o mercado de trabalho está fortalecido, com oferta de vagas e salários estáveis.

— Não é uma maravilha, mas o cenário é positivo — interpreta Quadros, que integra o Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit), da Unicamp.

O professor lembra que o emprego, mesmo com o crescimento raquítico do Produto Interno Bruto (PIB), mantém-se vigoroso. Quadros ressalta que há menos disputa por vagas porque os jovens podem se dedicar aos estudos e os idosos não precisam voltar ao batente depois de aposentados — pelo menos não na mesma intensidade com que isso ocorria no passado.

Recolocação depende de setor e nível

Determinados profissionais não se submetem à estatística que prevê média de 21 semanas para achar novo emprego. Programadores e desenvolvedores de tecnologia da informação (TI) nem entram na fila.

No início de setembro, o desenvolvedor de software Marcos Vinícius dos Santos, 33 anos, de Porto Alegre, começou os testes de seleção na ThoughtWorks, consultora global em tecnologia da informação. Em um mês, já tinha resposta. E veio da forma mais agradável possível.

— Disseram que gostaram de mim, que desejavam que eu fizesse parte do time — lembra Marcos Vinícius.

Desde a adolescência, trabalhava na empresa de informática da família, com o pai, Vilson, e o irmão, Alexandre. Formou-se em História pela UFRGS, mas sempre foi aficionado por tecnologia de informação. Cursou à distância, online, faculdades dos Estados Unidos e da Suécia.

— Foi emocionalmente difícil sair da empresa da família, mas pai e irmão me incentivaram ao desafio — conta.

A consultora Lourdes Lovison, das empresas Advis e Q2 Estratégias, ressalta que existem áreas “de alta procura”. Se o empregador não se decide logo, o candidato opta por outra vaga.

Nem todos podem se abrigar nesse oásis. A consultora alerta que vendedores genéricos, que não se especializaram, demoram para voltar à ativa. Outra categoria à parte é a dos executivos. Fundador e diretor da Produtive, Rafael Souto diz que o tempo de espera é de quase seis meses. Em 2011, era de 3,8 meses. O período da seleção, que era de 60 dias, alongou-se para três meses, detalha.

— O mercado executivo não está tão confortável assim — avisa Souto.

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