Expansão calçadista depende da exportação

Couromoda abriu nesta segunda-feira em São Paulo com expectativa de receber mais de 85 mil visitas em quatro dias.

O setor de calçados brasileiro chegou a um momento de saturação no mercado interno e seu…

Couromoda abriu nesta segunda-feira em São Paulo com expectativa de receber mais de 85 mil visitas em quatro dias.

O setor de calçados brasileiro chegou a um momento de saturação no mercado interno e seu crescimento apenas ocorrerá com o aumento das exportações. A avaliação foi feita, nesta segunda-feira, por Francisco Santos, presidente e fundador da Couromoda durante a abertura da 41ª edição da Feira Internacional de Calçados, Artefatos de Couro e Acessórios de Moda, na capital paulista.

“Nossa indústria terá que enfrentar novos tempos em um Brasil que vai crescer mais lentamente. Manteremos o mercado interno como base de sustentação para o setor, mas o caminho mais elástico para ampliarmos a produção é investir na exportação”, afirmou.

No ano passado, o mercado interno de calçados apresentou uma desaceleração no crescimento e fechou o ano com expansão de 2%, movimentando cerca de R$ 46 bilhões. “O mercado interno vinha crescendo a números chineses, dobrou de tamanho nos últimos 10 anos, mas em 2013 a economia deu uma desacelerada e fechamos com um crescimento nominal de 7,8% no consumo interno, o que, tirando a inflação, dá 2%”, explicou.

Santos afirma que 2014 será um ano difícil para o mercado interno. “Há algumas expectativas mais otimistas que falam em algo em torno de 4% de expansão neste ano. Queremos seguramente superar os 2% de 2013, mas ainda sou um pouco reticente em relação a 2014. Acho que vamos andar um pouco de lado, é um ano difícil, ano de eleição, quando as coisas todas são postergadas. Espero no mínimo repetir o numero de 2013”, disse.

Já no caso das exportações, apesar de a associação do setor ainda não ter divulgado os números fechados do ano passado, a estimativa é de que o desempenho tenha repetido ou se aproximado do US$ 1,1 bilhão vendido em 2012. “Na medida em que o mercado interno parou de crescer, o mercado externo parou de cair. Em 2007, exportávamos quase US$ 2 bilhões”, afirmou Santos.

Segundo o executivo, apesar de ainda estar longe da meta de repetir os números de 2007, o segmento está investindo em políticas para voltar a ganhar espaço nas exportações. “Hoje o setor tem uma capacidade instalada para produzir 1,1 bilhão de pares de calçados por ano e grande parte dessa produção tem que ser exportada.”

O Brasil enfrenta atualmente concorrência asiática, já que países como China, Índia, Vietnã e Malásia se prepararam para ser máquinas das exportações, avaliou Santos. “O Brasil sofre com isso e perde mercado”, disse o executivo, ressaltando que o País já não é mais dependente de apenas um grande cliente e exporta para mais de 150 países. “Mas está difícil recompor os preços. Somos competitivos da porta para dentro da fábrica e, por isso, precisamos de uma política de desonerações.”

Santos disse que o grande perigo da falta de competitividade externa é estimular as importações. “Não se pode desindustrializar um setor tão gerador de mão de obra”, afirmou, ressaltando, que essa indústria, do curtume até a loja, gera pouco mais de 1 milhão de empregos. “Só nas fábricas de sapatos são 350 mil empregos diretos e temos 500 mil no varejo.”

A 41ª edição da Couromoda deve receber mais de 85 mil visitas durante os quatro dias de realização. São cerca de 1,5 mil expositores em uma área de 85 mil metros quadrados no pavilhão do Anhembi. A feira apresenta mais de 2 mil coleções de calçados, bolsas e acessórios. A expectativa é de que durante os quatro dias de evento sejam gerados cerca de 35% dos negócios que devem abastecer o segmento ao longo de 2014. “Depois de um ano atípico em 2013, quando a economia andou a passos mais lentos, a feira, logo no início do ano, será um termômetro para a economia do País”, disse Santos.

Rio Grande do Sul tem dois estandes no Anhembi

A Couromoda foi aberta com otimismo por parte das 63 empresas gaúchas que participam em São Paulo, no Anhembi, em dois estandes apoiadas pelo governo do Estado, através da Secretaria de Desenvolvimento e Promoção do Investimento. No estande de calçados e artefatos estão 52 empresas de micro e pequeno portes, em parceria com o Sebrae-RS e ACI de Novo Hamburgo. Destas, 18 são estreantes. Já no espaço de máquinas estarão 11 empresas, em parceria com ApexBrasil e Abrameq.

O presidente do Badesul, Marcelo Lopes, que representou o governo estadual na abertura, destacou o apoio crescente ao setor calçadista, incluindo a redução do ICMS nas vendas interestaduais, atendendo demanda setorial. “O governo Tarso Genro ampliou o apoio ao setor calçadista, abrangendo não apenas os fabricantes finais, mas também a indústria de máquinas”, afirmou. Lopes ressaltou a participação gaúcha na Couromoda e na Prêt à Porter 2014, que também está sendo realizada em São Paulo, somando investimentos de R$ 340 mil do governo, através de subsídio a 77 empresas. “Cada real investido na promoção comercial gera um a média de R$ 39,00 em vendas”, ressalta o dirigente.

Estado estreia com mais de R$ 220 mil na Prêt à Porter

Com negócios quatro vezes maiores do que na edição passada, a participação gaúcha na São Paulo Prêt à Porter 2014 começou promissora. As 14 empresas que ocupam o estande coletivo do Rio Grande do Sul fecharam vendas de R$ 222,9 mil no primeiro dia do evento, realizado no Expo Center Norte, na capital paulista. No ano passado, quando o estande abrigou 27 empresas, a estreia foi com R$ 61,5 mil. O estande é financiado pelo Governo do Estado, através da Secretaria de Desenvolvimento e Promoção do Investimento (SDPI), que subsidia os custos com o Programa de Apoio à Participação de Empresas Gaúchas em Feiras Internacionais, em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Rio Grande do Sul (Sebrae-RS).

“Nossa expectativa é aumentar de 20% a 30% as vendas neste ano”, afirma a gerente da Feito Flor, Isabel Cristina Cesare. A confecção porto-alegrense, que participa da feira pela segunda vez, aposta em dois novos produtos. A coleção “Mulheres”, inspirada nos anos 1950, e as camisetas específicas para a copa, de olho nos turistas que virão para o evento esportivo. Para tanto, a marca fez parcerias com dois fotógrafos reconhecidos: Luiz Achutti e Denis Ferreira Netto. As camisetas estampam imagens do Rio Grande do Sul, Paraná, Bahia, Rio de Janeiro e Fortaleza.

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