Fenômenos revelados pelo Censo

Dados preliminares do Censo 2010, divulgados ontem pelo IBGE, mostram que o Rio Grande do Sul foi o Estado que menos cresceu em população ao longo da década, com uma variação de apenas 3,8% em relação a…

Dados preliminares do Censo 2010, divulgados ontem pelo IBGE, mostram que o Rio Grande do Sul foi o Estado que menos cresceu em população ao longo da década, com uma variação de apenas 3,8% em relação a 2000 – uma taxa similar à de países europeus, onde a preocupação é com a queda na população. Entre os municípios gaúchos, mais da metade já vive essa realidade. Em 2010, 275 municípios do Rio Grande do Sul têm menos moradores do que 10 anos atrás – o equivalente a 55% do total. O encolhimento, evidenciado ontem com a divulgação dos dados preliminares do Censo, é um dos fenômenos de mudança na distribuição da população gaúcha fotografados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A queda populacional na maior parte dos municípios decorre de uma combinação de maternidades menos movimentadas com maciças ondas migratórias para novos polos de crescimento. O primeiro fator é geral no Estado e fez com que o Rio Grande do Sul fosse a unidade da federação com menor taxa de crescimento populacional na década. O segundo elemento, as migrações, forjaram novos pontos de expansão populacional e levaram à despovoação de áreas. Com um incremento de apenas 3,8%, o Rio Grande do Sul apresentou médias anuais semelhantes às de países europeus, como a Suíça. Para Nedio Piran, especialista em migrações, o Brasil passa por um processo de transição demográfica. O Rio Grande do Sul lidera esse fenômeno.

– Os países emergentes estão reduzindo o seu crescimento rápido, passando para taxas europeias em menos tempo do que os europeus – diz. O economista Pedro Silveira Bandeira, professor da UFRGS, diz que a queda da natalidade impede municípios de repor a população que migra: – Alegrete sempre exportou gente, mas fazia muito filho, o que compensava. Agora, com a baixa fecundidade e a manutenção da migração, o problema fica mais evidente – destaca. Para Piran, a competitividade econômica atinge o tamanho dos municípios. A busca por emprego, qualidade de vida e segurança muda o mapa. – Nas cidades, principalmente nas pequenas, só ficam idosos e crianças. O resto migra para polos regionais.

Os números do Censo tiveram de ser apresentados ontem, antes do fim das visitas, para que os municípios possam entrar com recursos sobre possíveis distorções nos repasses federais e estaduais, que dependem dos dados populacionais para serem calculados. Segundo a Federação das Associações de Municípios do Estado (Famurs), as novas bases de habitantes poderão afetar os cofres de 19 prefeituras. Outras seis, no entanto, podem ter a carteira reforçada. – As pessoas buscam oportunidade. Enquanto o Litoral e a Grande Porto Alegre crescem, a Fronteira mingua. Isso interfere na economia e aumenta as desigualdades – diz o presidente da Famurs, Vilmar Zanchin.

A Capital que parou em 2000

Porto Alegre tem cerca de 70 mil pessoas a menos do que o IBGE pensava. Essa é a diferença entre a estimativa de população que o instituto fez para a cidade no ano passado e os dados computados pelo Censo. O resultado é que a Capital foi a metrópole que menos aumentou na década no país. Aliás, mal se pode falar em aumento. Na comparação com o Censo de 2000, Porto Alegre teve o acréscimo de apenas 5 mil pessoas, um avanço de 0,3%.A estagnação se explica pelo rumo que a cidade tomou e pelo desenvolvimento de polos no Interior. No passado, a cidade crescia movida pelos migrantes que chegavam de todos os cantos à procura de emprego na indústria ou de escolas e faculdades.

De lá para cá, as fábricas foram embora, e o Ensino Superior espalhou-se pelo Estado. O fluxo migratório se inverteu. Milhares de moradores de Porto Alegre foram morar nos municípios vizinhos, onde estão os empregos industriais. A Capital virou uma espécie de cidade-dormitório para parte de sua população: todos os dias, cerca de 90 mil pessoas viajam a municípios próximos para trabalhar. Outro fator foi a debandada de pessoas cansadas da violência. Municípios menores da Região Metropolitana, como Nova Santa Rita, receberam uma avalanche de ex-moradores de Porto Alegre à procura de qualidade de vida.

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