Gaúchos se rendem ao Liquida Porto Alegre

A família Rott cumpriu, no sábado passado, um ritual que se repete há 13 anos. Toda temporada de Liquida Porto Alegre é a mesma cena. O engenheiro civil João e a mulher professora universitária Marilise…

A família Rott cumpriu, no sábado passado, um ritual que se repete há 13 anos. Toda temporada de Liquida Porto Alegre é a mesma cena. O engenheiro civil João e a mulher professora universitária Marilise percorrem shopping centers em busca de seus objetos de desejo, apostando em descontos mais vantajosos. Este ano, o casal, junto com os gêmeos Felipe e Eduardo, de oito anos, comemorou o fato de a campanha ter sido prorrogada até dia 8. “Estávamos na praia até quarta-feira passada. Não conseguiríamos aproveitar se o Liquida tivesse terminado domingo”, justificou o engenheiro. “Essa data já está na nossa agenda”, confessa.
Para lojistas, que desde 1996 mergulham na liquidação para fazer de fevereiro um dos melhores meses do ano em vendas – meta dos precursores da campanha, o comportamento dos Rott reforça uma das marcas mais fortes da iniciativa na Capital. “As pessoas adiam compras à espera da temporada”, valida Carmen Flores, vice-presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Porto Alegre (CDL-Poa) e empresária do varejo de móveis. “A data já está na mente dos consumidores, de quem mora na Capital e de quem reside em outras regiões”, traduz a dirigente da CDL-Poa. No seu negócio, Carmen assegura que mais de 30% da clientela é do Interior. Para ela, mais que os descontos e condições diferenciadas negociadas pelo varejo para o período, a data virou tradição e está na mente das pessoas.
“Isso é tão forte que a gente entra no estabelecimento e a primeira pergunta é: Tá no Liquida?”, recorda a professora universitária, aos risos. O marido confirma a atitude de adiar gastos. “Estou atrás de um computador novo. Não comprei em dezembro, e agora o preço já caiu 20%”, contabiliza o engenheiro, que pretende pesquisar muito antes de decidir pelo modelo e estabelecimento. É a crença no desconto, que poderá ser maior, principalmente se tiver pechincha. Mais um atributo que ganhou força na edição da campanha em 2009.
O próprio alongamento da data revela um certo apego de boa parte dos 9 mil estabelecimentos participantes. O presidente da CDL-Poa, Vilson Noer, justificou que a entidade atendeu a apelo de lojistas que queriam espichar promoções e reduzir estoques.
A relações públicas Simone Dutra, que mora em São Leopoldo, revela tensão às vésperas de cada nova liquidação. “Fico monitorando o site da CDL-Poa”, admite Simone, que este ano usou a data para a compra do quarto de Cecília, que nascerá em três meses. “Há cinco anos que sigo o mesmo ritual. A cada Liquida, é um novo item para a mobília da minha casa”, conta a relações públicas. O motivo? “Só nos móveis da Cecília vou economizar R$ 1.000,00”. Simone diz que sua cidade tem liquidação, mas nada que se compare à mística que ela atribui à campanha local.
O casal Luiza Daniel e Fernando Cenci reserva para a temporada os gastos com roupas e utilidades domésticas. Adeptos do Liquida, Luiza e Cenci se dão ao direito de cobrar melhor performance em alguns segmentos. “Estava de olho em um equipamento, que quando entrou a liquidação não estava entre as ofertas”, exemplifica Cenci, que, por isso, deixou de gastar mais em 2009 no confronto com 2008. Ele também reclama descontos maiores em itens de lançamento e qualidade superior. O Shopping Total promete dar ao casal condições para reverter a despesa menor. A gerente de marketing do shopping, Karine Diniz, avalia que a prorrogação do Liquida Porto Alegre ajudará a turbinar o Loucura Total, liquidação própria do estabelecimento que chega à 10ª edição e que também ganhou luz própria.
Karine explica que serão quatro dias de promoções, de quinta – quando as lojas abrem ao meio-dia, a domingo, com desconto de até 70% e 80%. A campanha segue muita da receita do Liquida: os mais de 500 lojistas negociam com fornecedores condições especiais de preços para produtos que estarão nos quatro dias do Loucura. Sobre o desempenho da campanha, a gerente espera superar os 6,5% de crescimento previstos, apontando ações como o feirão de motos, com a venda de mais de 200 unidades, como um dos atrativos.

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