Lojistas pedem mudanças contratuais com shoppings

Maturidade do setor que alcançou faturamento de R$ 129 bilhões em 2013 favorece concorrência no segmento, segundo especialistas

A indústria brasileira de shopping centers está próxima da maturidade. Desde a inauguração do primeiro empreendimento no País, em 1969, o setor experimenta um desenvolvimento que culminou, no ano passado, em um total de 504 empreendimentos, evolução de 40% em sete anos. Juntos, os faturamentos somaram mais de R$ 129 bilhões, valor 75% superior ao registrado em 2009, segundo dados da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce).

Até 2017, as estimativas indicam a abertura de, pelo menos, outros 100 centros nas principais capitais. Os locais concentram, atualmente, cerca de 86,2 mil lojistas e empregam mais de 843,2 mil pessoas. No Rio Grande do Sul são 35 estabelecimentos, entre os quais 16 estão situados em Porto Alegre. Com o arrefecimento da explosão demográfica e indícios de menor celeridade na escalada das massas salariais, o futuro do setor pode estar diretamente ligado à uma quebra de paradigmas nas relações contratuais. Os desafios para o futuro foram tema de um painel realizado na tarde de ontem, na capital gaúcha, durante o congresso do varejo que ocorre em paralelo à 2ª edição da Feira Brasileira do Varejo (Frabravar), promovida pelo Sindilojas. Alcides Debus, presidente das Lojas Rabusch, projetou um cenário de elevação da concorrência que de alguma maneira pode beneficiar os lojistas. “Não creio que os indicativos macroeconômicos sustem um crescimento de shoppings nos atuais níveis.

Há um processo de maturidade em pleno andamento. No entanto, o aumento da concorrência pode beneficiar a revisão dos modelos de contratos. Hoje, em alguns shoppings, o que se assina não é um contrato, e sim uma sentença”, critica o proprietário de 24 pontos de venda, a maioria deles em shoppings. A tese é apoiada por Fabiana Estrela, diretora da Estrela Franquias, que administra as redes Barriga Verde e Caverna do Dino. Segundo a empresária, que possui apenas um franqueado em shopping, os custos elevados acabam afastando as marcas dos grandes centros comerciais. “Com base em nossos cálculos, estes custos não deveriam ultrapassar os 10% do faturamento bruto. No entanto, isso tem se demonstrado praticamente impossível para as lojas da rede que necessitam de espaços maiores para reunir o mix de produtos”, comenta.

Entre os alvos de críticas dos varejistas estão a transparência na administração dos condomínios, a cobrança de luvas e taxas como o Fundo de Promoção, que destina um valor que pode chegar até 25% do aluguel de uma loja para ações promocionais e publicitárias do shopping center. Neste contexto, Silvia Rachewsky Lemos, sócia de três franquias da marca Contém 1g e diretora Adjunta de Relações com Centros Comerciais do Sindilojas, afirma que a rentabilidade dos lojistas precisa ser considerada durante as negociações. “Não podemos mais aceitar contratos que beneficiam apenas um lado da mesa de negociações. É preciso que os gestores de shopping também otimizem esta parceria. Há muitos estabelecimentos que realizam pesquisas de perfil de consumo e sequer divulgam os resultados entre os lojistas. Esta experiência precisa ser melhor compartilhada”, analisa Silvia, que possui experiência na administração do Shopping Total em Porto Alegre.

Na avaliação da gerente Comercial do Canoas Shopping, Carolina do Valle, ainda existe espaço e flexibilidade para as negociações. Segundo ela, há um movimento acentuado dos shoppings também no que se refere ao mix disponível em cada estabelecimento. “Há interesse em atrair empreendimentos que complementem o portfólio em oferta no centro comercial. Por isso, a negociação é o caminho para se chegar às melhores condições”, defende.

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