Lojistas querem retomar o comércio de bairros

Movidos pela necessidade de incrementar o faturamento e ampliar a clientela, proprietários de estabelecimentos comerciais de bairros da zona Sul de Porto Alegre aderiram ao projeto de fomento setorial do Sebrae…

Movidos pela necessidade de incrementar o faturamento e ampliar a clientela, proprietários de estabelecimentos comerciais de bairros da zona Sul de Porto Alegre aderiram ao projeto de fomento setorial do Sebrae para desenvolver melhorias nos negócios, tanto do ponto de vista gerencial, como operacional. Além de qualificar o atendimento e o formato de gestão, os comerciantes dos bairros Tristeza e Ipanema pretendem também realizar melhorias nos locais de atuação, reformando fachadas, pintando paredes, pleiteando reparos na infraestrutura das ruas e promovendo campanhas promocionais conjuntas.

As propostas dos dois grupos se assemelham às de iniciativas que vêm sendo realizadas há três anos no comércio dos bairros Floresta e Azenha. No início deste mês, aproximadamente 50 empresários da Tristeza irão se reunir com técnicos do Sebrae para discutir estas questões na primeira reunião do projeto Promover o Comércio Varejista no bairro Tristeza, que representará a segunda etapa do trabalho iniciado em 2009. Em seguida, o mesmo irá ocorrer com outros 50 lojistas de Ipanema, cujo projeto se encontra na mesma fase. De acordo com Clarice Uberti, gestora do Sebrae, cada encontro servirá como a primeira grande ação conjunta do projeto em 2010 nesses dois bairros. “A ideia é realizar, em ambas as frentes, um evento conciliando uma palestra motivacional com a apresentação da estrutura do projeto”, resume a coordenadora da iniciativa. Ela explica que os bairros Tristeza e Ipanema aderiram ao projeto de fomento no ano passado, quando a entidade desenvolveu consultorias junto a grupos de comerciantes dessas regiões. No que depender do ânimo dos lojistas das duas regiões, os trabalhos deverão ter bons resultados e maior adesão. O grupo da Tristeza já estuda as diversas possibilidades de desenvolvimento no entorno do comércio do bairro. “Sabemos dos problemas da região, como alagamentos, dificuldades de circulação e transporte, acessibilidade das pessoas, falta de lixeiras, enfim, precisamos resolver muita coisa para receber melhor os consumidores”, lembra Anadir Alba, proprietária da loja de vestuário feminino Panus & Mangas. Ela revela que o grupo também tem a intenção de se articular com os comerciantes de Ipanema para juntos desenvolverem uma rota de turismo para a zona Sul. “Mas, para isso, os dois bairros têm que melhorar esteticamente”, adverte a empresária, lembrando que a região “tem muitas coisas boas para serem visitadas, como o Morro do Osso, a Vila Assunção, e todo o trajeto de Ipanema até o Lami”. Anadir conta que, após conhecer o teor do projeto que estava sendo desenvolvido no bairro Azenha, reuniu um grupo de 33 empresas para buscar também o apoio do Sebrae – que, no decorrer da primeira fase do plano de trabalho, identificou as necessidades individuais e coletivas dos empresários. “O primeiro passo da intervenção da entidade girou em torno da integração dos proprietários das empresas, que tiveram a oportunidade de diagnosticar situações conjuntas a serem resolvidas”, lembra ela. A partir daí foram promovidos cursos das mais variadas áreas de gerenciamento junto aos lojistas que aderiram ao grupo. Além das capacitações, o ano de 2009 envolveu consultorias financeiras e de marketing dos estabelecimentos. “Deixamos de lado a forma empírica de administração”, completa Juliana Conceição da Costa, proprietária da loja de moda feminina Doce de Moça. “A partir destes levantamentos, e tendo já sido implantadas as qualificações em nível de gestão e atendimento, iremos focar o segundo ano na busca junto ao setor público de melhorias da infraestrutura, bem como arborização, segurança e estacionamento do bairro Tristeza”, adianta Juliana. Na perspectiva da empresária, uma das principais mudanças é o associativismo entre as lojas vizinhas, que podem oferecer ao público preços competitivos e ações conjuntas que beneficiam a todos. Um exemplo é a distribuição de sacolas descartáveis para lixo aos consumidores da região. O feedback por parte dos clientes, segundo ela, vem sendo positivo.

Azenha, Floresta e Mercado Público já colhem primeiros resultados

As fases iniciais em que se encontram os projetos da Tristeza e Ipanema já foram consolidadas nas outras regiões que aderiram ao plano do Sebrae. Azenha e Floresta são exemplos disto, bem como o Mercado Público, no Centro da Capital, onde a entidade realizou ações específicas junto aos lojistas, principalmente em relação a boas práticas sanitárias. Na Azenha foram atendidos mais de 50 empresários desde o início dos trabalhos, em 2007. “Já se pode ver os resultados de controles gerencias e financeiros, bem como de cadastros de clientes. A perspectiva é de que houve um aumento de 30% do fluxo de público e de 20% no tíquete médio do comércio local”, diz Rodrigo Farina, gerente de comércio e serviços do Sebrae. Ele explica que na avenida Cristóvão Colombo e arredores, no bairro Floresta, as ações estabelecidas (como capacitação de gestores e consultorias financeiras e de marketing) foram parecidas. “Lá temos 30 empresas participando ativamente do projeto. Já no Mercado Público, a entidade trabalhou com implementação de boas práticas junto a 80 empresários”, cita. Apesar dos resultados positivos das outras etapas, é a terceira fase do projeto a que mais preocupa os empresários que integram o grupo da Azenha. “Muitas empresas já apresentam saldos melhores depois do diagnóstico empresarial e das capacitações disponibilizadas pelo Sebrae. Mas, neste ano, esperamos maior adesão para que possamos modernizar a região”, avalia Ary Bortolotto, presidente da Associação Nova Azenha (ANA) e proprietário da Funerária Ângelus. “Desenvolvemos muitas atividades na área de treinamento, mas ainda é necessária a mudança física. Queremos melhorar iluminação, colocar bancos, facilitar a circulação de pessoas, enfim, precisamos colocar em prática o projeto de revitalização do bairro”, diz. Segundo ele, entre as propostas estão melhorias na área de acessibilidade e fluxo de pessoas, com novos estacionamentos, “para tornar o comércio de rua mais parecido com o dos shopping centers”. Entre as melhorias, também estão previstas adequações nas fiações de luz, telefone e TVs a cabo, que atualmente ficam expostas em postes acima das calçadas.Apesar do desafio não ser fácil, o grupo pode contar com o apoio da prefeitura. “A Secretaria Municipal de Indústria e Comércio (Smic) aplaude este projeto, e iremos participar na facilitação do desenvolvimento destes bairros, através da desburocratização dos processos”, garante Idenir Cecchim, titular da pasta. “Este é um trabalho importante que o Sebrae está fazendo, qualificando e fortalecendo o comércio de rua, que na maioria das vezes é atendido pelos próprios proprietárioe cria vínculo com moradores do bairro”, reforça.

Ipanema prevê revitalizar suas empresas

Os lojistas do bairro Ipanema fazem coro aos elogios e metas dos concorrentes do bairro Tristeza. “Todos que fizeram os cursos subsidiados em 50% pelo Sebrae estão muito contentes – a primeira fase foi maravilhosa”, diz Astélio José Bloise, presidente da Associação dos Moradores do Bairro Ipanema, que cuida também dos assuntos dos comerciantes da região. Em Ipanema, a adesão em 2009 foi de mais de 30 comerciantes, já em 2010 a previsão é de superar o número mínimo exigido para o segundo módulo. Bloise ressalta a importância sobre a gestão dos negócios e diz que agora, com maior controle dos negócios, é hora de arregaçar as mangas para obter melhorias externas, que facilitem e atraiam um fluxo maior de clientes.“Os projetos nos bairros Tristeza e Ipanema irão se desenvolver bem, pois tiveram uma boa adesão”, opina Rodrigo Farina Mello, gerente de comércio e serviços do Sebrae. “Queremos dar o mesmo caráter do trabalho desenvolvido em bairros como Azenha e Floresta.” O projeto tem duração prevista de até três anos.

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