Nota Técnica Fecomércio-RS: Inflação fica abaixo do projetado pelo mercado em julho

O IBGE divulgou hoje (05/08) pela manhã o IPCA do mês de julho. A inflação registrou alta de 0,16%, valor ligeiramente superior aos 0,15% registrado em junho/11. Com isso, a inflação acumulada em 12 meses…

O IBGE divulgou hoje (05/08) pela manhã o IPCA do mês de julho. A inflação registrou alta de 0,16%, valor ligeiramente superior aos 0,15% registrado em junho/11. Com isso, a inflação acumulada em 12 meses sofreu aceleração, conforme já era esperado, passando a 6,87%, isto é, 0,16 p.p. acima dos 6,71% verificados até junho/10 na mesma base de comparação.

Da mesma forma que em junho/11, no mês corrente os alimentos apresentaram redução de preços (-0,34%). Os alimentos foram o único grupo que tiveram impacto negativo sobre a inflação em julho. O grupo de não-alimentos, por sua vez, tiveram uma aceleração inflacionária apresentando alta de 0,31%, valor superior aos 0,28% de junho/11.

Os combustíveis reverteram a tendência de queda dos últimos meses. Em julho/11, a alta foi de 0,47%. Enquanto o etanol apresentou alta em todas as regiões pesquisadas, a gasolina, apesar da alta no agregado, não teve um comportamento homogêneo, apresentando queda em 5 das 11 áreas pesquisadas. O aumento dos combustíveis contribuiu para “contaminar” os números do setor de transportes, que com influência especialmente do reajuste das passagens de ônibus, apresentou aumento de 0,46% em julho/11 depois de ter apresentado queda de 0,61% no mês anterior.

Os grupamentos de Habitação, Artigos de Residência e Vestuário apresentaram alta de 0,27%, 0,03% e 0,1%, respectivamente, o que significa uma desaceleração de cerca de 50% n0 primeiro item e de cerca de 90% nos demais.

Por outro lado, ainda que em ritmo menor, a inflação continua forte nos serviços. O grupo Saúde e Cuidados Pessoais sofreu aumento de 0,47% e de Despesas Pessoais, 0,49%. Esse comportamento dos preços nos serviços dá sinais de pressão de demanda na economia brasileira, especialmente naqueles setores em que as importações (favorecidas pelo câmbio) não têm a capacidade de conter a evolução dos preços ou aliviar a escassez de oferta.

A boa notícia é que a inflação veio em julho/11 num valor inferior ao esperado pelo mercado (0,20%). No entanto, apesar da desaceleração, o valor ainda não foi suficiente para trazer a inflação para um valor mais próximo do centro da meta de 4,5% fixada para 2011. O ano deve terminar com uma inflação entre 6% e 6,3%, valor perigosamente próximo ao limite superior da meta de inflação de 6,5%. Ainda não está totalmente claro se o Banco Central pôs ou não fim ao seu ciclo de aumento na taxa de juros. No entanto, as notícias recentes de piora no cenário internacional podem fazer com que dois vetores contribuam para uma queda mais acelerada da inflação e, assim, para a manutenção dos juros nos atuais 12,5% a.a.:

· uma diminuição dos preços das commodities, motivada pela baixa na atividade da economia mundial; e

· uma nova rodada de valorização do real, estimulada pelo “porto seguro” que o Brasil representa num ambiente de profunda desconfiança que ronda as economias desenvolvidas.

Se esses vetores se efetivarem, ainda que os juros não subam mais, a inflação pode a registrar uma desaceleração ainda maior, porém na esteira de um crescimento econômico menor da economia brasileira, como reflexo dos efeitos de um período (provavelmente) longo de recessão nos países desenvolvidos.

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