O que vai bombar neste ano

Lavar roupa ainda entra na faxina básica de Sandra

O mercado de trabalho estará bem aquecido em 2013, segundo especialistas. Então, entenda como você pode melhorar para aproveitar essa boa onda.

Para quem busca uma colocação ou quer crescer profissionalmente, o ano de 2013 traz esperanças. Pelo menos esta é a expectativa de especialistas na área econômica consultadas pelo Diário Gaúcho.

Essas boas perspectivas vêm depois de um ano que registrou índices históricos de desemprego – como o de novembro passado, quando a taxa no país ficou em 4,9%, a menor para novembro na série histórica iniciada em 2002, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Ganhos reais nos salários

– Estabilizamos o mercado de trabalho, e isso preserva tudo que conquistamos nos últimos oito anos. Vem melhorando desde 2004, com a geração de mais empregos com proteção social (carteira assinada) – opina a economista e coordenadora de Pesquisas de Emprego e Desemprego do Dieese, Lúcia Garcia.

Ela projeta a geração de 500 mil a 600 mil postos de trabalho nas sete regiões metropolitanas pesquisadas pelo Dieese (além de Porto Alegre, São Paulo, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Fortaleza e o Distrito Federal).

Esse aquecimento também é percebido pela economista chefe da Fecomércio, Patrícia Palermo:

– Há muitas chances em praticamente todas as áreas. Nunca tivemos taxas de desemprego tão baixas e temos ganhos reais nos salários.

Em novembro, o rendimento médio real habitual do trabalhador brasileiro foi de R$ 1.809,60 – valor mais alto da série histórica que começou em 2002.

Domésticas que prestam serviços

As duas economistas consultadas foram taxativas em dizer que haverá um crescimento nas oportunidades de trabalho para domésticas. Mas o que mudará mesmo – e já vem mudando – é o perfil dessa trabalhadora. Cada vez é mais raro ter uma doméstica tradicional, que trabalha a jornada inteira, todos os dias, na mesma residência.

– Vamos ter especialidades: as cuidadoras de crianças e de idosos, faxineiras, cozinheiras, passadeiras, a gente vislumbra a contratação por horas – explica Lúcia.

Muito à frente do seu tempo, Sandra Maria da Silva Damaceno, 50 anos de idade e 20 de doméstica, já trabalha dessa nova forma há pelo menos dois anos. Ela é uma prestadora de serviços: cobra separado para passar roupas (R$ 30) e para limpar a geladeira (R$ 20).

A faxina básica – com limpeza de vidros, banheiros e demais peças, organização de roupeiros e lavagem de roupa – sai por R$ 100, mas pode chegar ao máximo de R$ 150 com os extras. E, para alavancar os ganhos, ela, suas irmãs e algumas vizinhas, que também são do serviço doméstico, uniram esforços e criaram informalmente um grupo para as limpezas.

Colegas nunca negam serviço

– Se uma não pode, passa para a outra, e assim vamos, sem dizer não às clientes em feriados ou finais de semana. E dá resultado: todas nós (são sete) ganhamos entre R$ 1,8 mil e R$ 2,2 mil por mês, temos casa própria e somos independentes – comemora Sandra, que trabalha hoje com cinco casas diferentes, mas já chegou a atuar em 22, ao mesmo tempo.

A economista Patrícia alerta que, além do mercado de trabalho em casa, as diaristas podem aproveitar oportunidades em hotéis, como camareira e arrumadeira. Mas avisa:

– Existe a necessidade de estar preparada. Nesse mercado, as exigências são maiores do que eram antes.

Construção civil vai precisar de mais mão de obra em 2013

Algumas áreas ganham destaque na avaliação das economistas, quando se pensa em boas oportunidades para 2013. Entre elas, está a indústria, que receberá estímulos do governo para crescer – já que 2012 não foi muito bom para o setor – e deverá contratar mais, apontam Lúcia e Patrícia.

Outra que seguirá com boas chances e bons salários é a construção civil.

– Agora, é a infraestrutura que precisa de trabalhadores. Com as obras da Copa, como vias em torno de estádios, a BR-448 e a extensão do trensurb, haverá um crescimento no nível de emprego na construção – explica a economista Lúcia.

Porém, mesmo com essas expectativas, Patrícia, da Fecomércio, faz um alerta:

– Quem está fora do mercado deve buscar uma vaga que tenha a ver consigo. Não adianta ter experiência como padeiro e tentar ir para a construção civil só porque estão abrindo vagas, pois é mais difícil conseguir a vaga.

Comércio: entrada para jovens

A grande porta de entrada dos jovens no mercado de trabalho é o comércio, assegura a economista Patrícia, salientando que o maior percentual entre os comerciários é de pessoas com até 24 anos.

– Existe uma necessidade maior de contratação de vendedores e caixas em lojas e, também, a escassez de mão de obra. Então, quem entrar pode galgar postos com a capacitação interna – projeta o presidente do Sindilojas Porto Alegre, Ronaldo Sielichow.

Segundo ele, a entidade atua em colégios de ensino médio a fim de motivar os jovens a trabalhar no comércio, por meio do programa Varejo nas Escolas.

MAIOR GARGALO: A FALTA DE QUALIFICAÇÃO

– A expectativa é que se contrate mais em 2013, pois a previsão é de que a economia crescerá. Existem vagas e pessoas procurando emprego, mas as duas coisas não se encontram. Isso se deve principalmente à falta de qualificação dos profissionais – opina Patrícia Palermo.

A economista comenta que iniciativas gratuitas para formar profissionais, por vezes, ficam com turmas vazias devido à falta de interesse das pessoas. É o caso do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), que oferece capacitações nas mais diversas áreas, desde gastronomia até a construção civil, passando pela administração e turismo. Você pode se informar mais sobre o programa em http://pronatec.mec.gov.br/.

– Há várias respostas para isso, entre elas, pessoas que não se sentem aptas a cursar e aquelas que ganham o seguro desemprego – pontua.

Por outro lado, para Lúcia Garcia, existe também uma falta de disposição das empresas em treinar pessoal:

– Não existe trabalhador pronto. A empresa tem que investir, e isso é novo para o empresariado. Se levar essa ideia a sério, o empregador não vai pagar salário mínimo para um funcionário que está sendo treinado, haverá uma política de retenção de talentos para que ele siga na empresa.

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