O RH sob o olho do dono

O profissional de RH tem um papel essencial na gestão das empresas familiares. E ele passa por entender a cabeça do fundador

Muito se discute sobre a importância de um setor de Recursos Humanos (RH) atuante e estratégico. Entretanto, na prática, transformar o RH em protagonista do processo decisório é uma tarefa desafiadora. De um lado, há profissionais de RH ainda pouco preparados; de outro, organizações que não sabem ao certo qual o verdadeiro papel dessa função gerencial.

Na esfera das empresas familiares, esse desafio é ainda maior. Nas não profissionalizadas, que seguem os valores e a forma de pensar do fundador, a administração tende a ser mais controladora e zelar por laços de confiança. Não bastam boas ideias e políticas ousadas de gestão de pessoas – primeiro, é necessário conquistar a confiança do “dono”. É uma relação que não se sustenta apenas com as afinidades pessoais, mas também por competência técnica e interpessoal dos profissionais de RH. O lado bom desse vínculo é que as “portas da administração” estão abertas. A comunicação é mais estreita e, consequentementem os projetos são aprovados com mais rapidez. Entretanto, o “olho do dono” estará por toda parte. Ele quer saber de tudo que está ocorrendo e, às vezes, toma decisões sem consultar o RH – ao contratar candidatos indicados, liberar benefícios a familiares e até mesmo ao demitir funcionários que não estão alinhados à cultura da organização.

O modo como se avalia o desempenho dos funcionários é outro fator que desfavorece o setor de RH em empresas familiares não profissionalizadas. Tradicionalmente, o mérito nessas organizações não leva em conta a real contribuição do colaborador, e sim o seu tempo de empresa e sua relação de proximidade com os donos do negócio.

Nessas situações, não resta outra alternativa ao profissional de RH além de prestar a orientação necessária para minimizar os riscos desse comportamento. O ideal é que o RH realize uma avaliação isenta das pressões e dos conflitos familiares, voltada para o desenvolvimento de ações que permitam a evolução da família empresária, diminuindo a competição pelo comando e preparando os herdeiros para a sucessão.

Já nas empresas familiares profissionalizadas, que adotam uma adequada delegação de autoridade, com práticas administrativas menos personalizadas, o enfoque é outro. Nestas, o ambiente é favorável ao estabelecimento de políticas de RH mais modernas e imparciais. Os donos, porém, ainda exercem um papel crucial. Geralmente, eles querem ser informados quanto às principais atividades e problemas. E ainda esperam que os gerentes contratados sejam capazes de desempenhar suas responsabilidades como se fossem os “novos donos do negócio”. De certa forma, os proprietários de empresas profissionalizadas prezam pela reputação da família e pelo sucesso alcançado. Querem “manter e preservar” valores culturais que já se tornaram tradicionais – a ponto de serem, muitas vezes, impermeáveis a mudanças e inovações.

Nesse cenário, o RH deve primar pela integração dos gerentes contratados com os administradores familiares. A profissionalização proporciona benefícios significativos, mas não elimina conflitos. Em um primeiro momento, os gerentes profissionais até recebem responsabilidades, mas a verdadeira autoridade vem com o tempo e com a conquista da confiança dos donos. Diante disso, o RH precisa atuar como facilitador do processo de melhoria do ambiente organizacional. E gerar ações capazes de aproximar as empresas familiares do ideal da profissionalização da gestão.

Por Maria Rejane da Silva Arboite
Administradora de empresas, professora e autora do livro Gestão por Competências: Políticas e Práticas de RH,
diretora do CDG – Centro de Desenvolvimento Gerencial, de Novo Hamburgo

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