Para onde vai a Geração Y

Pesquisas tentam desvendar o que pensa uma juventude que tem pressa, é descompromissada, vive ligada em tecnologia e não se prende a quase nadaUmbilicalmente conectada à tecnologia, descompromissada,…

Pesquisas tentam desvendar o que pensa uma juventude que tem pressa, é descompromissada, vive ligada em tecnologia e não se prende a quase nadaUmbilicalmente conectada à tecnologia, descompromissada, habituada a uma enxurrada de informações superficiais e em busca da autorrealização profissional, a geração Y revoluciona os costumes e torna-se um dos alvos preferidos de pesquisas que tentam desvendar seu comportamento e tendências de consumo.

Formada em regra por jovens de 18 a 30 anos, o recorte etário também chamado de nativos digitais tem como principal marca a naturalidade no manuseio de qualquer inovação relacionada a computadores, celulares, internet e outros aparelhos com os quais convive desde a infância.
Mas, apesar da associação inerente entre a geração Y e o consumo de tecnologia, um estudo da Bridge Research, que ouviu jovens das re­giões metropolitanas de Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro, constatou que produtos e serviços ligados a telefonia, internet e TV a cabo aparecem apenas em terceiro lugar no ranking de gastos dos jovens, atrás de alimentação (refeições fora de casa e compras no supermercado), roupas e acessórios. Além disso, quando questionados sobre gastos que pretendem diminuir, o item tecnologia é o mais citado. Mas não pelos gaúchos, que se mostraram os menos propensos a economizar com eletrônicos e baladas. A geração Y da Grande Porto Alegre, mostrou a pesquisa, prefere cortar viagens, roupas e acessórios. – Tecnologia é o item que eles mais gostam, mas não é necessariamente no qual mais gastam – explica o diretor da Brigde Research, Renato Trindade. Além das categorias mencionadas na pesquisa, o professor de Marketing da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) Genaro Galli entende que a geração Y tende a dar um grande impulso ao comércio eletrônico (e-commerce) e, pelo grande acesso que tem a informações, é mais exigente quanto à qualidade de produtos e serviços. – Comprar um tênis em um site de outro país não é comum para outras gerações, mas simples para quem foi digitalmente alfabetizado – observa Galli. Trindade acrescenta que é crescente a propensão dos jovens a garimpar informações sobre a sustentabilidade do que consomem. O que, aos poucos, também se transformará em um critério de maior peso na decisão de compra. Segundo Pascale Terra, especialista em mar­keting da Allcon Consultoria, a característica de impaciência revela desafios para todos os mercados que pretendem cativar a geração Y. Além de falar uma linguagem afinada com a juventude, para a difícil tarefa de fidelizá-la, é imprescindível corresponder às expectativas anunciadas. Caso contrário, ocorrerá a migração para a concorrência em uma velocidade muito maior do que ocorre com o consumidor de faixas etárias mais elevadas. – A geração Y tem pressa, é impaciente e bem informada. Por isso, é preciso conciliar a mensagem com a prática para um produto ou marca – diz. A pesquisa da Bridge Research confirma a impressão de Pascale. Segundo Renato Trindade, a avaliação qualitativa do estudo mostra uma forma diferente de relação com as marcas, que continuam a ser uma referência, mas não necessariamente qualificam quem as ostenta. No caso de roupas, por exemplo, o principal é cair bem e ter qualidade. Em eletroeletrônicos, vale a experiência anterior com a marca e, em celulares, particularmente, contam pontos a tecnologia disponível e a beleza do aparelho.

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