Porto Alegre por elas e para elas

O aniversário da Capital e o Dia Internacional da Mulher fazem destacar histórias que interligam a cidade e o varejo em uma recíproca de desenvolvimento e progresso

Dentre as grandes conquistas…

O aniversário da Capital e o Dia Internacional da Mulher fazem destacar histórias que interligam a cidade e o varejo em uma recíproca de desenvolvimento e progresso

Dentre as grandes conquistas relacionadas à luta das mulheres pela igualdade, uma das mais relevantes é o direito a adentrar ao mercado de trabalho. Trocar dos afazeres domésticos por atividades nos diferentes setores produtivos é uma trajetória que atualmente oferece dados surpreendentes. De acordo com a pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM, 2010), referência para instituições da área do empreendedorismo, como o SEBRAE/RS, dos 21,1 milhões de pessoas à frente de empreendimentos em estágio inicial, no Brasil, 50,7% são homens e 49,3%, mulheres. O estudo também detalha que as brasileiras estão praticando um empreendedorismo cada vez mais planejado e consistente. Quando o assunto é empreender por oportunidade, as mulheres já ultrapassam os homens do Brasil, significando 53,4% do empresariado neste aspecto.

TRÊS GERAÇÕES E O SUCESSO – A experiência de Geanine Trapp, gerente da Madeireira Carvalho, especializada no comércio de materiais de construção, confirma que Porto Alegre segue a estatística nacional e oferece espaço para mulheres com iniciativa, visão de futuro e perspicácia empreendedora. Mais do que isso, a trajetória da jovem empresária, de apenas 27 anos, comprova que os critérios para o sucesso ultrapassam questões de gênero – homens ou mulheres, a formação e o conhecimento são, cada vez mais, necessários. Ainda em idade escolar, Gianine participou do programa da Júnior Achievement, onde recebeu prêmio de melhor diretora e melhor vendedora. Formou-se em Arquitetura e Urbanismo e não desperdiçou as oportunidades, estagiando, inclusive, no setor de Engenharia da operadora de telefonia móvel Claro, o que possibilitou que fizesse um curso na área de urbanismo na Espanha. De volta a Porto Alegre, a vontade de colocar em prática seu aprendizado e o ímpeto de empreender foram determinantes para optar pelos negócios familiares. Ela demonstra toda segurança necessária a quem decide empreender e sabe da importância que tem o comércio para a cidade. “Um grande desafio do meu setor é concorrer com muitas pequenas empresas, que são um tanto informais. Por outro lado, nossa loja existe há 23 anos e sabemos que colaboramos para o crescimento da região onde estamos instalados, no final da Avenida Professor Oscar Pereira, onde ainda há pouco comércio. É possível notar muitas mudanças na cidade, principalmente a expansão e ocupação dos espaços urbanos. O surgimento de novas ruas e de infraestrutura chama atenção. Há até bem pouco tempo, por exemplo, não havia rede de esgoto cloacal para a nossa loja, uma ligação feita há cerca de três anos”, observa.

O que Geanine vive atualmente é algo experimentado há mais tempo por Carmen Flores, em um contexto que torna as palavras ‘pioneirismo’ e ‘coragem’ obrigatórias. A hoje experiente e bem sucedida empresária do ramo moveleiro, natural de Rosário do Sul e Cidadã Honorária de Porto Alegre, credita os louros de sua trajetória não só a sua própria força, mas também à cidade que lhe acolheu. Em 1981, Carmen era uma jovem, com uma filha recém-nascida, que não aceitou ser “apenas uma simples dona de casa”. Contrariando a família, os preceitos morais e convenções sociais da época, saiu de Rosário do Sul rumo a Porto Alegre, separada do marido e com a filha nos braços. Depois de batalhar para terminar os estudos escolares, trabalhar como auxiliar de escritório na Tumelero e concluir a graduação em Administração, deu asas ao perfil empreendedor e abriu sua primeira loja de móveis. Em ousada operação, ela inovou na forma de conquistar a clientela e divulgar a loja. Mais tarde, tendo sido convidada a gerenciar e montar grandes lojas do setor, levantou vendas de forma surpreendente, ampliou os negócios e foi responsável até mesmo pela primeira promoção de vendas parceladas em até 10 vezes, o que fez a então pouco movimentada Avenida Ipiranga ser tomada por uma fila gigantesca. Com apenas alguns exemplos, pode-se concluir que a atuação de Carmen já faz parte da história recente do comércio porto-alegrense, como na consolidação da Ipiranga em pólo moveleiro. “Na época em que instalei minha segunda loja, no número 7029, falei com o então prefeito José Fogaça, pedi que trouxessem e fossem feitas melhorias na região e obtivemos boas parcerias neste sentido. Vieram os empreendimentos imobiliários, criou-se uma área residencial fabulosa, com parques enormes. A região se transformou. Hoje os terrenos estão extremamente valorizados, é a parte da cidade que mais cresceu por metro quadrado. Temos mais de 3 mil empregados, nas 45 lojas que compõem o pólo”.

Outra empresária exemplo de como é importante uma cidade estar aberta para a diversidade e a inovação, é Marta Mortele Piva. Natural de São João da Urtiga, formou-se em Administração de Empresas na Universidade de Passo Fundo. A partir de então, sua trajetória inclui a formação de uma família, a realização de sonhos e o desafio de fazer a vida em uma grande cidade. “Aos 22 anos montei uma empresa de assistência técnica, já em Porto Alegre. Nela, atuei por cinco anos. Depois fui para uma joalheria, onde trabalhei por um bom período e atualmente gerencio a M Chaves Iuminação” conta. Marta adquiriu a empresa, localizada na João Wallig, junto com um sócio em 2009, no entanto, o empreendimento é um dos pioneiros do ramo na Capital, com 24 anos. A tradição do negócio e a experiência da gerente permitem que ela entenda de forma aprofundada o mercado de Porto Alegre. “É uma cidade que se tornou cosmopolita, antenada com o mundo. Os lançamentos de produtos de iluminação das feiras internacionais rapidamente chegam ao conhecimento dos nossos clientes, através das avançadas tecnologias de informação. Esses produtos também não tardam a estarem disponíveis na loja, acho que hoje tudo acontece rapidamente. Por outro lado, como todos podem constatar, infelizmente, a cidade também está mais insegura e com trânsito engessado, o que acarreta custos para o comércio”, avalia a empresária.

Retorno – As três empreendedoras, que investem no crescimento de seus negócios na capital dos gaúchos, continuam otimistas com o futuro. E essa perspectiva pode ser sintetizada na frase de Carmen Flores. “Chamo Porto Alegre de mãe. Tudo o que tenho na minha vida eu devo a esta cidade. Como diz a música, ‘é de mais’! Está crescendo, tem potencial e sei que vamos continuar crescendo juntas”.

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