Primeira vitória de Dilma

Para quem chegou ao Palácio do Planalto há pouco mais de um mês como uma gerente de perfil técnico sem o traquejo do antecessor em mesas de negociação, Dilma Rousseff obteve ontem uma vitória capaz de…

Para quem chegou ao Palácio do Planalto há pouco mais de um mês como uma gerente de perfil técnico sem o traquejo do antecessor em mesas de negociação, Dilma Rousseff obteve ontem uma vitória capaz de ampliar o capital político do governo: manteve a base unida em torno da proposta que estabelece um salário mínimo de R$ 545.

Mesmo pressionada por centrais sindicais, atacada pela oposição e chantageada por aliados, a presidente Dilma Rousseff garantiu ontem, na Câmara, o salário mínimo de R$ 545, na sua primeira demonstração de força na Câmara.

A maioria dos deputados aceitou o valor estipulado pelo Planalto ao rejeitar outras duas propostas, que previam cifras de R$ 600 e R$ 560. O próximo passo é aprovar o projeto no Senado, em votação prevista para quarta-feira.

Enquanto o Planalto atuava nos bastidores, os sindicalistas, nas galerias da Câmara, constrangiam os parlamentares. Com bandeiras de centrais sindicais, eles vaiavam os deputados que defendiam a proposta do governo e aplaudiam quem pedia um valor maior. Um dos mais criticados, o relator do projeto do salário mínimo, Vicentinho (PT-SP), minimizou os protestos. – Tenho certeza de que essas vaias vão se transformar em aplausos em janeiro do ano que vem, quando o mínimo vai para R$ 616 – disse o ex-presidente da CUT.

Oposição acusa “balcão de negócios”

O relatório de Vicentinho, além de manter o valor de R$ 545, fixa até 2015 a política de reajuste com base no acordo firmado entre o governo Lula e as centrais em 2007. Por esta fórmula, todo ano, o mínimo será reajustado pela inflação do ano anterior mais o crescimento da economia registrado dois anos antes. Por essa regra, a Fazenda prevê mínimo de R$ 616 em 2012. Desde o dia 1º de janeiro, o piso é de R$ 540 (no ano passado era R$ 510), valor estipulado por medida provisória. O novo valor não retroage a janeiro.

O Planalto escalou ministros para pressionar suas bancadas. Paralelamente, manteve as negociações com as legendas para preencher cargos do segundo escalão. Durante o dia, governistas calculavam que obteriam 320 votos favoráveis entre os 513 membros da Casa. Pela manhã, os ministros Antonio Palocci (Casa Civil), Luiz Sérgio (Relações Institucionais) e Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral) se reuniram para uma avaliação da situação pré-votação. Acionado pela própria presidente, o vice-presidente Michel Temer foi ao Congresso apelar aos correligionários para que se mantivessem fiéis: – Claro que não quero influenciar ninguém, mas, se for possível, vamos atender ao pedido do líder (do PMDB) Henrique Eduardo Alves para darmos uma demonstração de que esta é uma bancada unitária.

Ainda que o governo não demonstrasse preocupação com uma eventual derrota, foi mal recebida pela cúpula do Planalto a notícia da liberação da bancada por parte do PDT. A sinalização é de que o ministro Carlos Lupi (Trabalho) poderá pagar caro por isso. A oposição acusava Dilma de ter “feito um balcão de negócios”. – É o imperialismo da presidente Dilma, que diz que quem não votar não terá cargos, é lamentável – afirmava ACM Neto (DEM-BA).

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