Quando recupera emprego, inadimplente pensa primeiro em repor a qualidade de vida

SÃO PAULO – A perda do emprego ainda é o principal motivo para a inadimplência dos consumidores. A maioria dos inadimplentes, contudo, já poderia ter pagado as contas, pois recuperou a renda no ano…

SÃO PAULO – A perda do emprego ainda é o principal motivo para a inadimplência dos consumidores. A maioria dos inadimplentes, contudo, já poderia ter pagado as contas, pois recuperou a renda no ano passado. “Mas a prioridade quando voltam ao mercado não é renegociar as dívidas, é repor a qualidade de vida”, afirma o economista da associação, Emílio Alfieri. De acordo com a ACSP (Associação Comercial de São Paulo), a perda do emprego é motivo da inadimplência de 56% dos consumidores. Essas dívidas, segundo o economista da associação, foram feitas entre 2008 e 2009, período em que a crise começou a apresentar seus efeitos na economia do País. “Em setembro de 2010, apenas 3% dos consultados haviam perdido o emprego. Em 2009, 29% haviam perdido seus empregos e em 2008, 21% afirmaram o mesmo”, diz. Hoje, de acordo com Alfieri, 80% dos consumidores inadimplentes consultados pela associação já conseguiram recolocação no mercado. Ou seja, ainda que eles tenham recuperado a renda para quitar os débitos, eles esperam até recompor a qualidade de vida que tinham antes da perda do emprego para depois pensarem em pagar as contas. “Eles pensam que como o nome está na lista de inadimplentes, então, eles resolvem depois. A prioridade é a qualidade de vida”, afirma o economista. Quando analisadas as faixas de renda, 61% daqueles com ganhos de até um salário mínimo afirmaram que esse é o principal motivo, ao passo que entre aqueles com renda de um a dois mínimos, 65% disseram que a perda do emprego motivou a inadimplência. Entre aqueles com renda de três a cinco salários mínimos, o percentual cai para 44%.

Cautela por conta das medidas do Governo?

O descontrole dos gastos é hoje o segundo motivo da inadimplência dos consumidores, mas sua participação dentre as razões para o não pagamento de dívidas pode cair ao longo dos próximos meses, principalmente entre os emergentes, como um sinal dos ajustes realizados pelo Governo para conter o consumo e a inflação. Entre aqueles com renda de dois a três salários mínimos, o descontrole foi citado por 23% dos entrevistados. Em setembro, 25% citaram esse motivo como o principal para a sua inadimplência. Embora pequena, a queda, segundo Alfieri, vem sendo registrada desde o fim do ano, o que pode demonstrar certa cautela por parte do consumidor emergente. “Não há nenhum motivo que salte aos olhos para essa queda. A única razão é que pode, sim, estar havendo uma cautela maior por parte dos consumidores por conta das medidas macro prudenciais do Governo”, afirma. O economista considera, no entanto, que é cedo para traçar qualquer tendência e verificar se, de fato, as medidas de contenção do crédito serão sentidas pelos consumidores. Os dados da associação, divulgados na última semana, mostram que, para os consumidores com renda de até um salário mínimo, o descontrole dos gastos é motivo de inadimplência para 13% e para aqueles com renda de três a cinco, a representatividade fica próxima a 17%. Para o economista da associação, as medidas podem não ser as únicas razões para a queda da inadimplência dos consumidores de faixa intermediária. Alfieri acredita que, em certa medida, a educação financeira melhorou no País. “Não é o principal motivo para a queda, mas melhorou”, afirma. De maneira geral, o descontrole dos gastos é motivo para inadimplência de 14% das pessoas consultadas pela associação em abril.

Mudanças

Para o economista, ainda que as medidas do Governo façam efeito, não deve haver mudanças significativas no perfil do inadimplente nos próximos meses. “O que pode acontecer é que a inadimplência suba para todas as faixas de renda. As medidas, sozinhas, são suaves, mas acumuladas podem provocar algum efeito na inadimplência”.

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