Talk show sobre diferenças e interesses em negociações coletivas fecha o Congresso Estadual de Relações Sindicais e do Trabalho

O Congresso Estadual de Relações Sindicais e do Trabalho, da Fecomércio-RS, em Torres-RS, finalizou o ciclo de palestras, debates e discussões com êxito neste sábado (02/04). 

O Congresso Estadual de Relações Sindicais e do Trabalho, promovido pela Fecomércio-RS, em Torres-RS, finalizou o ciclo de palestras, debates e discussões com êxito na manhã deste sábado (02/04). O talk show “Como respeitar diferenças de tamanho e objetivos das empresas nas negociações coletivas” trouxe os painelistas João Turella, das Lojas Renner, Gil Cipelli de Brito, do Wallmart Brasil, Joel Vieira Dadda, presidente do Sindilojas Litoral Centro e Paulo Kruse, presidente do Sindilojas Porto Alegre, com a mediação do advogado Flávio Obino. O mediador Obino rememorou que nos anos 80 ele participou de uma assembleia envolvendo diversos setores na grande Porto Alegre e, na oportunidade, os supermercadistas foram depostos da reunião, pois levantavam bandeiras que não iam ao encontro dos interesses dos demais participantes. A partir desse exemplo, o advogado ressaltou a importância de que as diferenças e interesses sejam equilibrados. “É fundamental entender como as entidades podem e devem ser mais eficientes, além da necessidade delas se qualificarem nesse enfrentamento de equilíbrio entre as diferenças.”

Em relação às negociações em empresas de grande porte, Turella apontou que nas Lojas Renner o primeiro passo para isso acontece dentro da empresa. “O desafio inicial é convencer os nossos presidentes, CEOs, diretorias sobre determinados pleitos da classe de trabalhadores que às vezes estão desconectados com a realidade macroeconômica”, explicou. Ele complementou que defender o interesse de todos na íntegra é inviável, mas pode-se chegar a uma pauta que atenda os objetivos do pequeno, do médio e do grande empresário. “Temos que seguir firmemente, realizando ações em conjunto, nos preparando a partir de assembleias. Precisamos mostrar para a ‘outra parte’ que estamos unidos na negociação”, exaltou, expondo que não acredita que seja possível viver um sem ou outro, ou seja, os grandes não vivem sem os pequenos e vice-versa.

Nesse sentido, Cipelli de Brito, da Walmart Brasil, explicou que há três pilares existentes nos processos de negociação. São eles: tempo, informação e poder. “Os pilares de informação e poder só são adquiridos a partir da união. Se conseguirmos utilizar esses dois fatores, é possível se apoderar do tempo. Porém, se nos aproximarmos, trabalharmos a informação e juntarmos nossos poderes, ao mesmo tempo se apropriando do tempo, ficaremos imbatíveis”, realçou.

Já Dadda, do Sindilojas Litoral Centro, se posicionou em relação as micro e pequenas empresas, que hoje representam 98% das organizações do Rio Grande do Sul. “Não podemos esquecer que são os negócios de pequeno porte que trazem investimento para as cidades. As grandes não vão aplicar capital no município, apenas irão formar consumidores a partir da oportunidade de empregos. Se a situação estiver negativa e a organização enfraquecer economicamente, a companhia simplesmente vai sair da cidade”, analisou, ressaltando que é preciso dar um atendimento diferenciado em termos de relações trabalhistas para negócios de todas as estaturas.

Na explanação de Paulo Kruse, consenso foi a palavra chave usada pelo presidente do Sindilojas Porto Alegre. Kruse exaltou que o Brasil passa por uma série de fatores que levaram o País para uma depressão moral, ética e de valores. “O Brasil hoje não é o Brasil que eu nasci. E, em vista disso, eu entendo que um sindicato como o Sindilojas deve estar preparado e ciente de que congrega estabelecimentos dos mais diferentes interesses, do pequeno, do médio e do grande porte, e que deve chegar a um consenso entre eles nas negociações”, salientou, valorizando que é preciso colocar toda a negociação possível entre os diferentes níveis de empresas e defender os interesses de todos. “O Brasil precisa de pessoas que vêm os interesses em comum com os outros e não somente olham para seu umbigo. Tivemos duas ministras do Tribunal Superior do Trabalho falando que não temos representatividade. Por isso, vamos exigir essa participação onde é devido, que é dentro do Ministério do Trabalho lutando por nossos objetivos e propósitos”, finalizou, enaltecendo que todos devem fazer a sua parte para a construção de um País melhor. 

Fonte: Fecomércio-RS

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