Vender para as mamães exige especialização

Cinco bebês nascem por minuto no Brasil, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). E para cada um deles, aponta o mercado, uma família de classe média desembolsa cerca de R$ 5 mil…

Cinco bebês nascem por minuto no Brasil, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). E para cada um deles, aponta o mercado, uma família de classe média desembolsa cerca de R$ 5 mil na aquisição do enxoval que irá acompanhá-lo no primeiro ano de vida.

No entanto, especialistas ouvidos pelo Estadão PME recomendam: antes de sair empreendendo motivado apenas pelas perspectivas de faturamento elevado, invista tempo e dinheiro em uma boa estratégia. O segmento de produtos e serviços para bebês caminha velozmente para a especialização, por isso, é preciso estar atento à concorrência e ao número de categorias de negócios. Para crescer, será fundamental explorar os nichos. E quanto mais específica for sua empresa, maior será a chance do empreendedor ter sucesso.

Mariane Tichauer, da Itté, importadora de produtos para gestantes, bebês e crianças, ilustra bem a tendência. A empresa procura pelo mundo lançamentos inovadores para vender com exclusividade no Brasil. “O nosso foco é no produto diferente.”

Mãe pela primeira vez há quatro anos, Mariane sentiu na pele a dificuldade de encontrar roupas e acessórios adequados ao seu estilo de vida. “Era tudo muito infantilizado e a mulher ficava horrível com uma bolsa de plástico rosa estampada pelo Mickey Mouse”, conta a empreendedora. Mariane, porém, viu no problema uma oportunidade, largou o emprego na área de telecomunicações e saiu pelo mundo visitando feiras de bebês.

Ao fim da temporada de pesquisa, ela fechou contrato com três marcas estrangeiras e, hoje, distribui uma linha de 130 produtos para todo o Brasil. O faturamento em 2012, segundo ano de atividade da Itté, chegou a R$ 1,2 milhão. “Estamos indo bem. Queremos, no mínimo, dobrar esse faturamento agora em 2013”, projeta.

Reduzir o portfólio para explorar nichos também é uma preocupação dos comerciantes da Rua Santa Justina, que concentra 14 lojas de bebês no bairro da Vila Olímpia, em São Paulo.

Lá, o modelo de megastores, onde a cliente encontrava todo o enxoval do bebê em um mesmo lugar, cedeu espaço para empresas especializadas: ou lojas de móveis, ou de vestuário ou de acessórios. “A gente precisou reduzir para fazer bem e diferente”, diz Karina Manrique, da Puro Amor, que atua com móveis.

“Eu tinha de tudo aqui, mas quase quebrei em 2010. Os clientes procuravam produtos no exterior por serem mais baratos e diferentes. Foi quando resolvemos apostar apenas em móveis. Agora, desenvolvemos linhas exclusivas e mudamos de patamar”, afirma. Deu certo. A empresária fatura, por mês, R$ 200 mil – em 2010 essa quantia girava em torno de R$ 11 mil.

“O setor é conservador. Mas somos diferentes”, diz Salvador Alfredo Bárbaro, da marca de roupas Get Baby. Executivo de grandes empresas do ramo, ele lançou em 2007 um negócio para explorar o que considerava uma deficiência do ramo: produtos que dialogassem com o universo lúdico da criança. “Era tudo muito romântico, muito básico. A gente entrou com estampas divertidas e coloridas.” A marca concorre com os produtos mais caros do mercado e faturou perto de R$ 5 milhões em 2012, alta de 95% em relação ao ano anterior.

Outro exemplo do potencial de nicho do mercado vem de Curitiba. O casal Marcos Matumoto e Maria Rosana Mestre criaram a Shofarkids. A proposta é desenvolver brinquedos multifuncionais – o destaque da empresa é a almofada em forma de monstro que transforma-se em porta-pijamas. A empresa está em estágio inicial, mas já despertou o interesse da clientela no Brasil, Estados Unidos e Europa. “O consumidor é muito carente de produtos diferentes, de opções multiuso e com conceito de design”, explica Maria Rosana.

Veja também

    Noticias

    Nota Oficial: Falta de luz no centro de Porto Alegre

    Veja mais
    Noticias

    Ministério do Trabalho prorroga portaria sobre funcionamento do comércio aos fer...

    Veja mais
    NoticiasMarketing

    Conheça as principais tendências globais de consumo para 2024

    Veja mais
    NoticiasMarketing

    Novas experiências para o consumidor leitor

    Veja mais