Volta às aulas 2026: vendas de material escolar mostram melhora, mas consumo segue cauteloso em Porto Alegre
Presidente do Sindilojas Poa, Arcione Piva: “demanda existe, mas está mais racional e concentrada”
A procura por material escolar em Porto Alegre apresenta leve recuperação em relação ao ano passado, mas ainda é marcada por ritmo moderado e comportamento mais conservador das famílias. Levantamento realizado pelo Sindilojas POA com lojistas do setor indica que 54% classificam o movimento como baixo — índice inferior ao registrado em 2025 (69,5%) — enquanto o fluxo médio subiu de 25,4% para 44%.
Segundo o presidente do Sindilojas Porto Alegre, Arcione Piva, o cenário reflete o alto nível de endividamento das famílias gaúchas, estimado em 85%, além da forte tendência de reaproveitamento de materiais do ano anterior. “O consumidor está mais cauteloso, adia a compra ao máximo e concentra o movimento na véspera do início das aulas. Isso muda o calendário tradicional e exige que o varejo esteja preparado para atender em um curto espaço de tempo”, afirma.
O chamado efeito “véspera” se consolidou: a expectativa de maior volume de vendas no dia anterior ao início das aulas saltou de 1,7% em 2025 para 25% em 2026. Já a semana que antecede o retorno concentra 39% da movimentação.
Em comparação ao ano passado, o desempenho do setor é de estabilidade. Para 44% dos lojistas, as vendas se mantiveram no mesmo nível, enquanto 39% apontam diminuição. Apenas 7% registraram crescimento. “O lojista precisa se adaptar a esse novo perfil, oferecendo clareza nos preços e condições de pagamento”, destaca o presidente da Entidade.
Os preços também pressionam o cenário. Para 36% dos entrevistados houve aumento, principalmente na faixa de 6% a 10%. Cadernos, lápis de cor e canetas lideram os reajustes. O ticket médio subiu de R$ 202,44 para R$ 265,25, O avanço é explicado pela compra concentrada e pelo impacto dos preços, não por aumento de volume.
O pagamento parcelado no cartão de crédito segue dominante, representando 74% das transações. Modalidades como crediário e Pix parcelado começam a aparecer como alternativas.
Para estimular as vendas, as lojas estão oferecendo descontos médios de 14,7%, principalmente em cadernos, lápis de cor, estojos e canetas. As promoções se estendem até março, acompanhando o comportamento tardio do consumidor.
A loja física continua sendo o principal canal (77%), com apoio digital via WhatsApp e Instagram para orçamentos e atendimento rápido.
O perfil do consumidor de 2026 é claro: 48% dos lojistas percebem maior sensibilidade a preço, 28% apontam redução no volume comprado e 24% observam busca ativa por promoções. “A compra está mais racional, focada no essencial. Para o varejo, o momento exige estratégia, organização das listas escolares e comunicação clara. Mesmo em um cenário de cautela, a demanda existe — apenas mais concentrada e planejada no limite do calendário”, conclui Arcione Piva.