Porto Alegre com jeito de paraíso para quem ficou

O verão é mesmo a estação predestinada a patrocinar o único fenômeno, talvez, capaz de provocar a unanimidade de opinião dos gaúchos, vocacionados a discordar de tudo, do futebol à política. Porto…

O verão é mesmo a estação predestinada a patrocinar o único fenômeno, talvez, capaz de provocar a unanimidade de opinião dos gaúchos, vocacionados a discordar de tudo, do futebol à política. Porto Alegre fica muito melhor nesta época do ano, e especialmente na última semana os sinais são mais fortes.

Quem já escapou para as tão aguardadas férias acha isso, quem ficou abre um sorriso e concorda. Porque por aqui se começa a ter um paraíso como os felizardos à beira-mar. Ao menos no conceito. Claro, os resistentes da Capital não estão sentados à frente de ondas inspiradoras. Mas é muito bom não ter de esperar para comprar ingresso no cinema, ou ter espaço para caminhar à vontade no Largo Glênio Peres. E a paradinha para o chope no Chalé da Praça XV, então? Até o guarda empoleirado no posto de observação do Largo concorda: – Tem menos gente, muitos já foram para a praia.

É a senha dessa felicidade de verão. Não é porque se pode ouvir o canto dos passarinhos ou porque as mulheres ficam mais bonitas. Seria uma injustiça com quem se esforça tanto – e consegue – se manter atraente o tempo inteiro. A última semana do ano é especial porque a cidade começou a parar desde o Natal. A pressa das compras se esfumou, encontros foram cumpridos. Mesmo uma BR-116, que também aproxima, está menos nervosa. Tudo parece à espera de algo, sem pressa maior. E porque assim parece, os ambientes se transformam, nas ruas ou nos interiores.

“Dinheiro na mão é vendaval”, cantarola Paulinho da Viola no samba Pecado Capital. Pode ser mesmo. Que o diga o garçom de um restaurante do Mercado Público. Neste final de dezembro o cliente paga R$ 60 por um almoço para três sem vacilo. O 13º se espalha pelas lojas e pelos bares das calçadas e dos shoppings. Há mais espaço para circulação e – quem diria – um vazio inesperado de gente deixa ver como é bonito o desenho do calçamento da Rua da Praia, sempre dos poetas e agora também dos remanescentes do verão.

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