Brasileiro troca dívida mais cara por mais barata para ter dinheiro no Natal

SÃO PAULO – Os brasileiros estão correndo atrás dos bancos para sanar suas dívidas antes que chegue o final do ano, quando estão previstos novos gastos por conta das datas comemorativas e das férias…

SÃO PAULO – Os brasileiros estão correndo atrás dos bancos para sanar suas dívidas antes que chegue o final do ano, quando estão previstos novos gastos por conta das datas comemorativas e das férias escolares. Nesta corrida, eles têm trocado as dívidas mais caras pelas mais baratas. De acordo com os dados da Nota de Política Monetária e Operações de Crédito, divulgada nesta terça-feira (26) pelo Banco Central, a carteira de crédito pessoal registrou elevação de 1,8% entre agosto e setembro, impulsionada pelos empréstimos consignados – com desconto em folha de pagamento – que tiveram representatividade de 60,6% do total. O consignado é uma modalidade mais barata exatamente porque quem concede este crédito tem a garantia do desconto do valor devido direto do salário do devedor. Em contrapartida, as modalidades mais caras, como o cheque especial e o cartão de crédito, apresentaram reduções nas concessões em setembro, de 1,1% e 0,9%, respectivamente.

Recuperação do crédito

“Os bancos estão fazendo campanha para recuperar o crédito. Se houvesse redução em novembro e dezembro, o motivo seria o recebimento do décimo terceiro. Mas como foi em setembro, pode ser mais porque a pessoa mudou de modalidade, para restabelecer a situação financeira”, explicou o vice-presidente da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), Miguel de Oliveira. Mas, de acordo com ele, muito mais do que a campanha dos bancos, o crédito tem sido restabelecido por uma iniciativa do consumidor. “Para aquele que está pagando a dívida em dia, é confortável a situação para o banco, então é o consumidor quem tem de tomar a iniciativa para trocar de débito”, afirmou. Já para aqueles que estão atrasados, o banco pode procurar para negociar a situação.

Cheque especial

O cheque especial apresentou um movimento interessante no mês de setembro: queda da inadimplência, porém um aumento da taxa de juros. Os atrasos na modalidade superiores a 90 dias caíram de 10,1% da carteira em agosto para 9,3% em setembro. Já os juros médios mensais subiram de 8,48% ao mês em agosto para 8,53% ao mês em setembro, os únicos a apresentarem alta no mês. “Quando se diminui a inadimplência, se espera que caia a taxa de juros. O cheque especial teve um movimento atípico. Um motivo para isso pode ter sido que os bancos que têm taxas de juros maiores podem ter emprestado mais, ou seja, a migração de mais uso do cheque especial em taxas mais altas”, explicou Oliveira.

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