Escala 5×2: especialistas analisam impactos econômicos e desafios para o varejo
Debate no Café com Lojistas abordou possíveis mudanças na jornada, custos, emprego e organização das equipes no comércio
As possíveis mudanças na jornada de trabalho e seus efeitos sobre o comércio foram tema da edição desta quinta-feira (13/8) do Café com Lojistas, promovido pelo Sindilojas Porto Alegre, no Co.nectar Hub – espaço de inovação da entidade. O encontro reuniu o advogado Flávio Obino Filho, a gerente de Relações Trabalhistas e Sindicais da Lojas Renner S.A., Mariana Martins Nunes, e o economista-chefe da CDL Porto Alegre, Oscar Frank.
Para os lojistas, a proposta em discussão no Congresso exige atenção tanto aos aspectos trabalhistas, quanto aos impactos sobre custos, emprego e organização das equipes. Entre os principais pontos apresentados no encontro, estão a previsão de redução gradual da jornada e os custos para a economia, bem como o case da Renner, que está testando o formato 5×2 em algumas lojas.
Tramitação e regras previstas
Flávio Obino destacou que a proposta ainda depende de tramitação no Senado e posterior análise da Câmara, caso haja alterações, além de promulgação. O advogado também chamou atenção para pontos que exigem regulamentação ou negociação coletiva, especialmente na organização das escalas, no descanso semanal remunerado e na compensação de jornadas.
“Essa é uma discussão que nós defendemos que deve ser por negociação coletiva. Porque aí nós vamos ver as particularidades de cada setor e as adaptações possíveis para uma eventual redução de jornada”, destacou.
O que os números indicam
Oscar Frank apresentou um estudo sobre os possíveis efeitos econômicos da redução da jornada para 40 horas. No Rio Grande do Sul, a estimativa aponta potencial redução de 43 mil postos de trabalho formais, sendo 11,4 mil no comércio. Para o varejo gaúcho, o estudo estima ainda aumento de 12,3% no custo do trabalho por hora.
O economista ressaltou que os resultados são projeções e que os impactos dependerão de fatores como produtividade, repasse de custos e capacidade de adaptação das empresas.
“Precisamos considerar que isso tem implicações econômicas e esse é o nosso papel aqui: mostrar que não são só as intenções que são válidas, isso traz impactos concretos”, ponderou.
Experiência prática ajuda a antecipar desafios
A experiência da Lojas Renner foi apresentada por Mariana Martins Nunes, que compartilhou resultados de um projeto-piloto realizado em nove lojas da rede, que conta com mais de 600 unidades em todo o País. A empresa mantém as 44 horas semanais e redistribui a jornada em uma escala 5×2, com adesão voluntária dos empregados.
Segundo Mariana, o modelo foi bem recebido pelos colaboradores que optaram pela mudança, mas também revelou desafios para a operação, como relatos de maior cansaço devido a jornadas diárias mais longas, cobertura de finais de semana e necessidade de planejamento mais preciso das escalas.
“O que percebemos é que não existe uma fórmula única. A escala precisa considerar a realidade de cada operação, o fluxo de clientes e a organização das equipes”, indica.