FGTS traz alívio imediato, mas não altera quadro estrutural do endividamento
Comentário do Sindilojas Porto Alegre
Com 80,4% das famílias endividadas no país e mais de 81 milhões de brasileiros negativados, o Sindilojas Porto Alegre avalia que a liberação de recursos do FGTS em estudo pelo governo federal pode gerar alívio pontual e estimular o consumo no curto prazo, mas não enfrenta a raiz do problema do endividamento. A medida, que prevê a injeção de cerca de R$ 17 bilhões na economia — sendo R$ 7 bilhões em devolução de saldo bloqueado e aproximadamente R$ 10 bilhões para apoio ao pagamento de dívidas — surge em um cenário de deterioração das condições financeiras das famílias, com quase 30% já com contas em atraso. Apesar de positiva ao destravar recursos, a iniciativa tem alcance limitado, já que o volume representa cerca de 3,2% do total de dívidas inadimplentes no país, evidenciando a distância entre o alívio imediato e a dimensão estrutural do problema.
Do ponto de vista econômico, a entidade destaca que o principal entrave segue sendo o custo do crédito. Com juros elevados, especialmente no cartão, que supera 300% ao ano, há risco de rápida reabsorção desse alívio, reduzindo sua efetividade ao longo do tempo. A experiência recente de ações como o Desenrola reforça esse diagnóstico: programas de renegociação tendem a produzir impactos temporários quando não acompanhados de mudanças estruturais no ambiente de crédito.
O Sindilojas Porto Alegre também observa que o anúncio ocorre em ano eleitoral, o que amplia sua relevância política e exige uma análise criteriosa sobre seus efeitos. Para o varejo, a medida pode representar um estímulo pontual, especialmente em segmentos de bens não-duráveis e semiduráveis, mas a sustentação do consumo depende de fatores mais amplos, como a redução consistente dos juros e a melhora nas condições de financiamento às famílias.