Carnaval impulsiona negócios de pequenos empreendedores durante o ano todo

Inovar e diversificar são os caminhos para aquele empresário que deseja manter o lucro sempre em equilíbrio

A importância do carnaval na economia brasileira pode ser medida pela profissionalização da festa. Estrutura mambembe faz parte do passado, seja para as escolas de samba ou para pequenos negócios que aproveitam para aumentar o faturamento.

O carnaval promove um engajamento coletivo respaldado agora por indicadores. Empresas de todos os setores podem aproveitar o evento para prospectar clientes”, explica Mauricio Borges, presidente da Apex-Brasil. A agência brasileira de promoção de exportações é responsável pelo Projeto Carnaval. A iniciativa aproxima países estrangeiros e empresas nacionais para fomentar relacionamentos mais duradouros que os quatro dias de folia. Em 2012, os negócios movimentaram R$ 1 bilhão.

Potencial para esticar o número de oportunidades que a festa proporciona o Brasil tem. E de maneiras distintas. De acordo com Claudio D’Ipolitto, coordenador do MBA em Gestão e Produção Cultural da FGV, existem dois tipos de negócios na área: os que efetivamente fazem parte da cadeia produtiva do carnaval e os que se beneficiam com a demanda do entorno.

“O Brasil tem uma competência acima da média para o que começamos a chamar de ‘economia da festa’. O carnaval simboliza a maior delas, mas durante o ano inteiro há eventos regionais e de grande atração”, explica.

Exemplos. Claudia Sakuraba despertou o seu potencial empreendedor oferecendo ao mercado o que ele ainda não tinha. Em 2001, ela começou a trabalhar com tecidos para decoração de carros alegóricos para escolas de samba do Rio de Janeiro e São Paulo. A rotina de trabalho a fez prestar atenção na falta de opções para a confecção de fantasias. Foi quando ela decidiu, então, investir em tecidos metalizados e estampados sob encomenda. Hoje, sua loja, a Carnaval Store, fatura R$ 2 milhões por ano.

A inovação possibilitou a empresária a lucrar o ano todo – ela participa do Natal Luz na cidade de Gramado (RS) e de festas juninas e religiosas. “Desenvolvo as estampas e uma fábrica produz. A variedade não existia.”

Com estratégia semelhante e atuando diretamente no grupo da cadeia produtiva do carnaval, a Sulamericana Fantasias conseguiu eliminar a dependência que tinha da data para crescer.

A pequena importadora, inclusive, transformou-se em fábrica depois da abertura econômica promovida pelo então presidente Fernando Collor, no início da década de 90. “A empresa ia mal. Até que em uma viagem aos Estados Unidos vi a febre dos personagens Power Rangers. Voltei para o Brasil disposto a investir nisso”, conta Kiko Smitas, fundador do empreendimento.

E foi logo no início da operação que o empresário vislumbrou o apelo que as fantasias podiam ter. “Ao contrário dos Estados Unidos, o Brasil não tinha essa cultura de comprar fantasias ao longo do ano. Em quase 18 anos de atuação, a gente conseguiu mudar um padrão de consumo. Hoje ela é um brinquedo e não mais uma roupa para ser usada apenas no carnaval”, explica.

A forma encontrada por Kiko para despertar o desejo, principalmente de crianças, foi ampliar a linha de personagens licenciados. Com isso, a empresa se qualificou. “As exigências para o uso de marcas são grandes. Para crescer, tivemos que adotar alto padrão de qualidade.”

Renascimento. O gargalo da Sulamericana é competir com as falsificações. O do empresário Álvaro Aoas, em 2001, era reerguer o Bar Brahma. Com a experiência de quem já teve quase cinco dezenas de negócios que não deram certo, Álvaro mergulhou em uma empreitada para revitalizar o tradicional reduto da boemia paulistana.

“Assim que reinaugurei o bar surgiu a possibilidade de montarmos um camarote para o carnaval de São Paulo, na época ainda muito inferior ao do Rio de Janeiro”, conta. Aceitar o desafio foi fundamental para o empresário. A experiência positiva provocou uma grande mudança na festa de São Paulo, que passou a ganhar importância frente ao carnaval carioca. Mais do que isso. O Bar Brahma se fortaleceu e a marca passou a atrair um número maior de pessoas. “Qualquer um diria que era loucura fazer o que eu fiz. Menos eu”, finaliza Álvaro, que hoje chega a recusar propostas para fazer eventos.

:: Fique atento ::

Solução
Ganha quem oferece ao mercado o que ainda não existe. Pensar em soluções para problemas do setor, ajuda a desenvolver um novo produto ou serviço.

Abrangência
Negócios não relacionados ao carnaval devem estar preparados para o aumento da demanda gerada pela data.

Calendário
Explore as datas festivas ao longo do ano. Eventos religiosos e regionais também reservam boas oportunidades.

Serviços
Esteja preparado para atender estrangeiros e oferecer a eles facilidades. Um bom começo é dominar mais de um idioma para facilitar a comunicação.

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