No que os consumidores brasileiros estarão de olho em 2015

Pesquisa da consultoria mintel revela tendências que pautarão o relacionamento dos clientes com as marcas

O ano de 2014 não foi dos mais fáceis para a economia brasileira. A perspectiva para os próximos meses não é exatamente otimista e, nesse cenário desafiador, as marcas precisarão disputar um espaço no carrinho de compra dos clientes.

A consultoria Mintel reuniu dados e identificou algumas tendências que impactarão o consumo no Brasil em 2015. Os analistas identificaram o que está entre as prioridades das famílias e apontam questões que as empresas podem explorar, seja em relação aos produtos oferecidos ou aos valores que devem transmitir. São quatro questões principais:

Questões de gênero

As mudanças na dinâmica das famílias, com a mulher cada vez mais presente no mercado e tendo filhos mais tarde, cria uma nova demanda. Elas precisam de ajuda para equilibrar seus horários e ganhar praticidade no dia a dia, pois trabalham tanto quanto seus parceiros, mas ainda acumulam mais tarefas domésticas. Eles, por outro lado, desafiam o estereótipo e passam a colocar os cuidados com a aparência entre suas prioridades. Segundo a Mintel, três em cada quatro homens dizem que irão cuidar melhor de sua aparência.

As discussões sobre questões de gênero permanecem na pauta, como o progresso feito por empresas e governos. Segundo a consultora Renata Moura, os consumidores também estarão mais vigilantes em relação à maneira como as marcas tratam o tema, examinando os exemplos estereotipados e elogiando as ações que estão de acordo com uma realidade cada vez menos restritiva.

Busca pela felicidade

Comida, diversão e arte. Lembra da música? É mais ou menos esse o espírito de boa parte dos brasileiros. Depois de conquistarem um melhor nível de renda e bens materiais, o bem-estar emocional passou a fazer parte da lista de prioridades. Segundo a Mintel, soluções que melhorem o humor e façam os consumidores se sentirem mais seguros estarão entre as tendências.

Em 2012, uma pesquisa da consultoria revelou que 13% dos brasileiros concordavam que “manter um estado mental positivo contribui para uma vida saudável”. Em 2013, o número subiu para 22%. Outro dado: metade dos brasileiros planeja gastar dinheiro extra em atividades de lazer.

“Em 2015, vamos ver mais possibilidades para as marcas oferecerem felicidade aos seus clientes. Isso pode significar desde a criação de produtos que proporcionem um tratamento prazeroso, promovam uma atmosfera jovial ou criem uma atmosfera relaxante”, diz Renata. Um exemplo de oportunidade são produtos para reduzir o estresse do deslocamento para o trabalho.

Luta por direitos

Não basta mais ter um bom produto. As empresas, cada vez mais, terão que ser transparentes e mostrar responsabilidade social. A Mintel cita como exemplos de ações a campanha do Pão de Açúcar para melhorar as praias do Rio de Janeiro e a obras no sistema de saneamento no Nordeste feitas pela Unilever. Pesquisa da consultoria mostrou que 77% dos brasileiros que compram refrigerantes pagariam mais por uma marca que fosse sustentável.

Os consumidores também exigirão mais informações sobre os produtos, como ingredientes e condições de fabricação. Além disso, eles não se contentarão em comprar o que as marcas tem a oferecer. Com a crescente participação nas redes sociais, querem ser ouvidos e podem protestar caso algo não lhes agrade. “Ignorar a vontade das pessoas pode promover um crescimento em boicotes”, afirma Renata.

Conectados

Os smartphones já ganharam um alcance enorme e agora os dispositivos vestíveis (“wearables”) começam a entrar na vida dos brasileiros. Aparelhos eletrônicos são extremamente desejados entre os jovens consumidores do Brasil, segundo a consultoria.

“A tecnologia para vestir terá que transcender a conveniência da conectividade e ser, ao mesmo tempo, segura e elegante. Os sistemas de casa inteligente vão ter que ir além do conceito de utilitários econômicos, e abranger ambiente e decoração”, diz Renata. Ao mesmo tempo, as empresas precisarão estar atentas à preocupação com a segurança dos dados registrados por esses aparelhos e deixados na nuvem.

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