Saiba como usar wellness como estratégia para o varejo
Em cotidianos acelerados e saturados de estímulos, espaços e experiências que oferecem calma e acolhimento ganham relevância
A ansiedade é uma epidemia global, e a Organização Mundial de Saúde (OMS) já apontou o Brasil como um dos países mais impactados. E o que isso tem a ver com o varejo nosso de cada dia? Se você pensou apenas em negócios para um nicho, errou. Wellness (bem-estar) é estratégia.
Em cotidianos acelerados e saturados de estímulos, espaços e experiências que oferecem calma e acolhimento se tornam magnéticos. Nesse contexto, vale a pena pensar seu negócio não apenas como uma forma de as pessoas resolverem uma necessidade específica ou pontual, mas como uma oportunidade de promover conforto à mente e ao espírito do cliente.
Este pode ser um diferencial competitivo do pequeno e do médio varejista, pois eles conseguem oferecer, por exemplo, presença humana real, escuta ativa e acolhedora – afinal, boa qualidade das conexões sociais é antídoto para ansiedade e depressão.
A edição 2026 do relatório global de tendências de consumo da Euromonitor International (referência global em análise de dados e pesquisa sobre mercados, indústrias, economias e consumidores) mostra que os consumidores estão priorizando o bem-estar.
Na prática, segundo o relatório, significa que estão buscando maneiras de simplificar suas vidas e reavaliar onde gastam energia, tempo e dinheiro. As gerações Z e Alpha estão especialmente interessadas naquilo que possa gerar bem-estar e desaceleração.
Essa tendência não é apenas sobre consumo de produtos wellness, mas pode influenciar a escolha por experiências que desejam repetir ou não. Um dos movimentos mais profundos discutidos durante a palestra “A hora que definirá 2026: cultura, tendências e o que vem por aí”, durante o SXSW 2026 (South by Southwest, realizado no Texas, EUA, em março), é a chamada “construção de mundos pessoais”. O que se ouviu no evento foi relatado pelo espaço digital do Sebrae RS, que resumiu assim: ”Se antes o objetivo era alcançar o consumidor, o desafio agora é ser convidado a entrar no seu mundo. (…) O acesso virou um privilégio concedido apenas a quem oferece legitimidade e utilidade real, e não a quem apenas grita mais alto”.
Shep Hyken aborda um ponto relevante neste contexto: o bem-estar de quem atende o cliente influencia bastante como a pessoa vai se sentir. Hyken é especialista em serviço ao cliente, palestrante e escritor. Em se tratando de varejo, essa observação ganha lugar no centro da reflexão sobre o tema.
De acordo com o Ministério da Previdência, a partir de dados divulgados no início do ano, o Brasil bateu, pela segunda vez, o recorde com o maior número de afastamentos do trabalho por transtornos mentais em uma década (mais de meio milhão de pessoas). A atividade campeã? Vendedor de comércio varejista, com quase 72 mil afastamentos. Em 2025, os afastamentos por ansiedade e depressão cresceram 15% em relação ao ano anterior e, somados, já formam o segundo maior motivo de afastamento do trabalho no Brasil, atrás apenas das doenças da coluna. Esses dados alimentam as discussões em torno da redução da jornada de trabalho, tema da seção Fique por Dentro desta edição.
FIQUE DE OLHO
Grandes redes de varejo (como a Ulta Beauty) estão criando Zonas de Wellness bem delimitadas dentro de suas lojas. São espaços com design minimalista, luzes mais suaves, plantas naturais e materiais como madeira. É wellness como parte central da jornada do consumidor.
- Há marcas usando dados comportamentais e de compra para enviar conteúdo educativo pós-compra para engajar os clientes, em vez de continuar enviando mensagens de vendas redundantes. Saúde e bem-estar entendidas como uma mentalidade, e não como nichos ou ações isoladas.
- O mercado global de bem-estar consome US$ 2 trilhões por ano, segundo a pesquisa Future of Wellness da McKinsey & Company, de 2025. O relatório afirma que bem-estar deixou de ser um luxo e virou prioridade na rotina diária.
FORMAS DE OFERECER BEM-ESTAR NO SEU NEGÓCIO:
- Conveniência é palavra-chave. Jornadas cheias de obstáculos não fazem sentido, especialmente para quem está exausto.
- Marcas que comunicam propósito e criam vínculo emocional geram um valor que vai além do preço em etiquetas.
- O consumidor atual quer se sentir lembrado e valorizado. A fidelidade tem a ver com relações.
- O cliente está cansado de excessos. Busca leveza e simplificação. Acolhimento vale mais do que desconto.
- Vale investir em um ambiente agradável: aroma, luz, música, texturas e espaços para relaxar ou inspirar são tendência. É a loja como espaço de pausa.
- Comunicação empática, do atendimento ao pós-venda, é um ativo valioso. Escuta ativa antes de oferecer produto, empatia genuína, sem pressão de venda.
- A sobrecarga de informações, inclusive no layout dos espaços, vai na contramão de toda essa tendência.
- Checkout simples no e-commerce e comunicação pós-compra acolhedora, sem spam no WhatsApp, também se alinham a esse contexto.