ARTIGO: O novo varejo depende das pessoas
Artigo publicado no Correio do Povo de 03/04/2026
O setor varejista atravessa uma das transformações mais profundas de sua história recente. O principal desafio atual não reside apenas na adoção de novas ferramentas, mas em uma mudança fundamental de mentalidade, além da compreensão das principais mudanças nos hábitos de consumo. O mercado não é mais definido apenas pela transação, mas pela profundidade das conexões que estabelecemos com quem está do outro lado do balcão, seja ele físico ou virtual.
O surgimento de um novo consumidor exige que as empresas recalibrem sua bússola. Este cliente, mais informado e exigente, busca muito além do produto, ele busca identificação. Por isso, o futuro do setor está ancorado em marcas que comunicam propósito e constroem comunidade. As vendas hoje são, essencialmente, baseadas em relacionamento.
O varejo que prospera é aquele que entende que a tecnologia, embora onipresente, deve servir para humanizar a jornada, e não para torná-la fria. Não basta implementar inovações por modismo. O seu valor real surge quando dados e inteligência artificial são aplicados para resolver problemas reais da operação e elevar a experiência do cliente. A IA aplicada ao varejo já é uma realidade que otimiza estoques e personaliza o atendimento, transformando a gestão em um braço estratégico do resultado.
Contudo, nada disso se sustenta sem pessoas. Negócios consistentes são reflexos de lideranças preparadas, visão de futuro e culturas organizacionais sólidas. A execução impecável é o que separa o planejamento do lucro. Afinal, o varejo vive de resultados práticos, de margens saudáveis e de uma operação que entrega o que promete.
É com o objetivo de aprofundar essas reflexões que preparamos o conteúdo da Feira Brasileira do Varejo (FBV), que ocorre entre os dias 20 e 22 de maio, em Porto Alegre. O evento, que chega a sua décima segunda edição consolidado como o principal encontro nacional do setor, foi desenhado para ser um ponto de convergência entre inovação e prática, abordando desde a influência da creator economy até a transformação física das lojas. É tempo de debatermos a jornada de evolução do nosso segmento, discutindo como manter o varejo relevante, competitivo e, acima de tudo, humano.
Por Arcione Piva, presidente do Sindilojas Porto Alegre